16 de novembro de 2016 às 21:19

A Trilha e seus personagens

Em atividade desde o domingo, 13/11, a 16ª Trilha dos Santos Mártires das Missões reúne participantes da região e também de outras localidades, algumas bem distantes, em torno de um objetivo que pode ter muitos significados conforme a visão que a pessoa tem desta manifestação de fé e cultura missioneira.

São Nicolau foi o ponto de partida desta jornada, de 170km. A reportagem da Rádio São Luiz esteve presente neste primeiro momento e nossa programação tem destacado entrevistas com peregrinos durante essa semana, trazendo até o ouvinte histórias de pessoas que falaram sobre a trilha e seus objetivos com esta jornada.

Dissertação de Mestrado

Estudioso das Missões Jesuíticas, o professor argentino Nelson Quevedo veio de Oberá para a cidade de São Nicolau com objetivo de trabalhar em sua tese de mestrado. Além de se utilizar de livros e de outras fontes de pesquisa, ele se deslocou até a referida cidade para realizar trabalho de campo. No contato com representantes da administração municipal, como a secretária de Turismo Ana Paula Alvarenga, ele foi informado sobre a Trilha.

Em sua terceira visita a São Nicolau, Nelson participou desta edição da Trilha na segunda, terça e quarta-feira, conforme lhe permitiu sua licença. Em entrevista à nossa reportagem, ele garantiu que foi a primeira, mas não a última vez que participou, pois é uma grande oportunidade educativa e cultural. Para o professor, as comunidades implantadas pelos jesuítas exemplificam uma situação perfeita de sustentabilidade, diferente do que se observa hoje.

Da teoria à prática

Professor de Educação Física, natural de São Geraldo do Araguaia, estado de Tocantins, Osires Vieira de Souza é jesuíta vocacionado e está fazendo sua experiência de discernimento em Porto Alegre. Ele ficou sabendo da história das Reduções e, consequentemente, da Trilha. Após, não pensou duas vezes em vir pra cá e aprender mais sobre essa região.

Para Osires, a experiência é enriquecedora. A Trilha cai como uma luva para o futuro jesuíta, que faz parte de programa que une espiritualidade, inserção social e meio ambiente. Ele nunca havia participado de uma peregrinação tão grande, mas pretende chegar, no domingo (20), ao destino final, que é o santuário do Caaró.

Como professor de Educação Física ele diz que a caminhada, mesmo longa, fornece alternativas para “enganar” o cansaço, pois o peregrino pode caminhar isolado, em momento de reflexão, pode passar um tempo conversando com outros participantes e pode usar a fé como instrumento de superação dos próprios limites físicos.

Valorização

Para o professor e historiador Sérgio Venturini, é visível a valorização da Trilha ao longo dos anos, a qual ele se refere como um verdadeiro movimento. Na largada desta edição ele ressaltou a renovação de organizadores e importância dos assuntos que compõem o evento, como a assistência espiritual emanada do padre Eugênio Hartz e a defesa do meio ambiente por parte de Edison Lisboa.

Envolvido com diversas iniciativas culturais em solo missioneiro, Venturini diz que a participação em uma caminhada de grande porte como a Trilha dos Santos Mártires envolve uma boa preparação, não apenas física, mas também mental, além de um bom planejamento, principalmente para aqueles que trabalham em empresas e setor público.

Abaixo, em anexo, história da Trilha, programação e mais alguns registros desta edição do evento

Autor(a): Genaro Caetano/Rádio São Luiz