18 de abril de 2017 às 09:47

AMM une forças com associações para evitar regionalização de partos

 

Diante da manifestação dos prefeitos gaúchos, Estado deixou decisão a critério dos municípios. Fotos: Karin Schmidt/AMM

Surtiu efeito positivo a mobilização de prefeitos, vice-prefeitos e secretários municipais de Saúde de diferentes regiões gaúchas, que ocorreu na parte da manhã e da tarde de segunda-feira (17) no auditório da Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs), com o firme propósito de evitar que o governo do Estado impedisse a realização de partos em hospitais de pequeno porte.

A resolução da Secretaria Estadual de Saúde (SES) diz que hospitais com menos de 365 partos por ano deixariam de prestar este atendimento, que passaria a acontecer em hospitais regionais maiores. No caso das Missões, este serviço seria concentrado no hospital Santo Ângelo.

Prefeitos e secretários de Saúde da região das Missões participaram dos debates, entre eles os chefes do Executivo de Cerro Largo, Valter Spies (PP), Mato Queimado, Orlando Thomas (PP) e Caibaté, Amauri Pires.

Intranquilidade

Conforme explicou Valter Spies, o interesse do hospital de Cerro Largo é de manter os partos e, se possível, trazer mais gestantes da região. “Nosso hospital está em reforma, inclusive o bloco cirúrgico. Estas melhorias irão qualificar ainda mais o atendimento para gestantes e demais pessoas que precisarem. Além de manter, estamos trabalhando para regionalizar os serviços de parto em nossa cidade”, destacou Spies.

Na avaliação do prefeito de Mato Queimado, não se pode aceitar nenhuma lei que venha de cima pra baixo, ainda mais quando se trata de lei de gabinete. “Primeiro é necessário conhecer o cotidiano dos pequenos municípios e dialogar com a comunidade, especialmente quando envolve gestantes. A saúde funciona muito bem em nossa cidade, pois temos uma parceria com município de Caibaté, que tem um dos hospitais referência da região. A realidade de Mato Queimado, e também de outros municípios missioneiros, não condiz nenhum pouco com este critério que está sendo utilizado pela SES”, afirmou Thomas.

UTI Neonatal

Também o prefeito de Caibaté compartilha da mesma opinião dos colegas gestores. “Temos nosso hospital em Caibaté com excelente estrutura para realização de partos. Não teria nenhuma necessidade transferir gestantes para outro local, uma vez que elas correm sérios riscos de terem seus filhos dentro de uma ambulância, ou de chegarem ao hospital e não encontrarem leitos disponíveis”, ressaltou Amauri Pires. Ele disse ainda que para resolver a questão da mortalidade infantil o Estado precisa de UTI Neonatal.

Autonomia dos municípios

Após ouvir as considerações dos prefeitos de diversas associações regionais gaúchas, o secretário adjunto da Saúde do RS, Francisco Paz, explicou que cada município terá autonomia para decidir. Os hospitais que realizam partos em pequenas e médias cidades podem deixar de prestar o serviço e ingressar na rede de atendimento organizada pelo Piratini. Neste caso, os procedimentos serão realizados nos hospitais regionais de maior porte. “Os demais hospitais que não tiverem na rede continuarão a fazer partos. Nós não pretendemos fechar hospitais”, contextualizou Paz.

Debate na AMM

Assim que finalizou a reunião na Famurs, em Porto Alegre, os prefeitos de Cerro Largo, Mato Queimado e Caibaté solicitaram o apoio do presidente da AMM, Brasil Antonio Sartori, para que este tema fosse debatido na próxima assembleia da Associação, dia 5 de maio, de forma a sanar todas as dúvidas.

Por Karin Schmidt – assessoria AMM