27 de setembro de 2017 às 08:44

Mesmo com “crise de preços”, presidente da Fecoagro orienta sobre uso de produtos certificados

Diversos setores da produção primária estão sentindo a diminuição no preço de seus produtos e isso, somado à concorrência externa, vem gerando impacto no bolso dos agricultores. Essa é a opinião do presidente da Fecoagro/RS, Paulo Pires, exposta em entrevista veiculada no programa Olho Vivo de terça-feira (26).

Considerando o período onde nos encontramos, Paulo explorou mais largamente o exemplo do trigo, dizendo que, nesta safra, deveremos vivenciar uma amplitude na colheita, uma vez que também tivemos a mesma amplitude do plantio – devido ao grande volume de chuvas no período do plantio, há lavouras que podem ser colhidas já no início de outubro, enquanto outras deverão apresentar condições apenas em novembro.

Preços e concorrência

No que se refere ao preço, ele destacou que o momento é preocupante não apenas para o trigo, mas também para outras culturas, cujos produtores mostram-se cada vez mais perplexos. É o caso do arroz, leite, milho e até mesmo de produtos considerados como bons de preço ou, no mínimo, estáveis, como a carne bovina e o soja, mas que registraram queda recentemente.

Outro fator que ainda pesa no quesito preço é a competitividade frente à produção externa, como a da Argentina, pelo menos no caso do trigo. Comparando com o ano passado, o trigo no RS, segundo Paulo Pires, deve apresentar uma produtividade 10% inferior, principalmente pela redução da área plantada – a expectativa é que nesta safra sejam colhidos entre 1,7 milhão e 2 milhões de toneladas de trigo, enquanto na safra passada esse número ficou entre 2,5 a 2,7 milhões.

Assistência e qualidade

Ainda assim, mesmo diante de preços pouco atrativos, o entrevistado orientou que os produtores sigam apostando na parceria com entidades de assistência técnica, utilizando-se da estrutura assistencial das cooperativas, para que possam ficar sempre em contato com pessoas especializadas, que tenham a condição de orientar os produtos e técnicas de manejo adequadas para as lavouras, pois muitos agricultores, devido ao alto custo de produção, têm apostado em defensivos mais baratos, mas isso pode mostrar efeitos negativos na hora da colheita.

Por Genaro Caetano/Rádio São Luiz

Foto em destaque: divulgação internet