Centro de Documentação e Memória: a história de São Luiz Gonzaga preservada

Espaço é coordenado pelo professor Anderson Amaral Schmitz. (Foto: Kelvin Morais/Rádio São Luiz)

Desde 2016, São Luiz Gonzaga – que completará 332 de fundação no próximo mês – possui um Centro de Documentação e Memória (CDM). O espaço, que fica junto ao Instituto Histórico e Geográfico do município, é coordenado pelo professor Anderson Amaral Schmitz.

Em entrevista para a Rádio São Luiz, ele contou detalhes deste projeto que é ideia da presidente do Instituto, professora Anna Olívia do Nascimento. “O espaço foi gestado em 2015 e inaugurado em 2016. Nossa função é organizar, coletar e catalogar documentos, ofícios, bilhetes, cartas, fotos, filmes, livros atas e todo tipo de documento que fale sobre nossa história”, explica o professor.

No local, é possível encontrar registros do fim do século XIX e início do século XX. Arquivos de um período anterior a emancipação. “Recebemos da prefeitura e da câmara todos os documentos públicos até 1960. Também temos toda a coleção dos jornais A Notícia desde 1934”, acrescenta.

Anderson também revela que o local armazena o primeiro Código de Posturas do Município, ou seja, a primeira lei com relação a urbanidade. “Quem podia construir, como eram as ruas, calçadas, arborização urbana. São minuciosos os detalhes”, explica. O CDM preserva também documentos sobre a Coluna Prestes, período jesuítico, entre muitos outros.

São Luiz Gonzaga pode ter sido o primeiro município a pedir o fim da monarquia

No ano passado, o CDM teve acesso a documentos antigos da câmara de vereadores que mostram que São Luiz Gonzaga pode ter sido o primeiro município brasileiro a pedir o fim da monarquia. O achado está na moção do município e revela que o conselheiro da época, o ilustre José Gomes Pinheiro Machado, mais tarde senador, conseguiu aprovar na câmara são-luizense um documento que pedia o fim da monarquia no Brasil.

“Foi muita audácia para a época (documento aprovado em 1888. A monarquia acabou um ano depois). O documento pedia que a Assembleia do Rio Grande do Sul pedisse à Assembleia Nacional a supressão do artigo 4º da Constituição da época, ou seja, o fim da monarquia. Imagina como se hoje a câmara de vereadores se reunisse e pedisse o fim da República”, contextualiza Anderson.

Para o professor, este documento coloca São Luiz Gonzaga outra vez no centro da política nacional. “O documento já foi publicado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e nós estamos produzindo artigo científico para que mais uma vez São Luiz seja inserida na história da política nacional”, conclui.

Conheça o Instituto

Há 35 anos o Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga atende de forma gratuita. Trata-se de uma organização não governamental, composta por sócios, que está aberta ao público das 13h às 17h.

O prédio fica na esquina da Bento Soeiro com a São João (diagonal ao INSS) e está aberto para quem gosta e quer aprender sobre a história local.

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