Em recuperação, jornalista José Aldo Pinheiro, acometido pela COVID-19, faz um relato sobre o tratamento

O são-luizense José Aldo Pinheiro, jornalista esportivo que iniciou sua vida profissional na Rádio São Luiz e que hoje integra a equipe da Rádio Guaíba, está em tratamento para recuperar-se da COVID-19. José Aldo foi internado na última semana no CTI do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e nesta sexta-feira emitiu um relato dos últimos dias sobre o tratamento realizado e da necessidade dos cuidados da população quanto ao novo Coronavírus:

“Quero agradecer a todos, não vou citar ninguém em particular porque me pareceu que todos estavam unidos no mesmo sentimento, o que me comoveu sinceramente. Eu procuro ajudar pessoas, procuro ser um bom ser humano, mas as condutas são metas, são ideais que a gente estabelece na vida, e por isso nem sempre conseguimos alcançar 100% das nossas metas, porque somos seres humanos e as vezes erramos, somos imperfeitos. O fato é que essa doença revelou algo que eu não tinha noção a respeito do meu meio, meus colegas todos derem demonstrações sinceras de solidariedade com o meu sofrimento. Então por isso venho a agradecer a cada um que manifestou essa ideia de torcida pela minha recuperação. Teve um momento muito ruim. Chegamos a combinar com meus filhos sobre a minha cremação, etc., eu já não suportava mais. É tudo muito rápido, são dois estágios em 10 dias. Primeiro a dor de cabeça, segue para a garganta e quando a dor e o mal-estar já são insuportáveis é porque o pulmão já está todo tomado. Foi assim comigo. Estar de volta parece um milagre. No nono dia eu passei a não resistir mais as dores, chorava pensando na morte, estava me entregando e a minha mulher me enrolou em toalhas molhadas, me envolveu em sacos plásticos (sacos de lixo) numa tentativa desesperada de me salvar e baixar a febre. Foi aí que decidi telefonar para um médico e pedir apoio. Foi Deus. Ele é amigo do diretor clínico do Moinhos, que aceitou assumir meu caso, mandou que me levassem para o Moinhos de Vento e esse médico Luís Antônio Nasi, me salvou. Meus pulmões seguem com as manchas, eles não sabem ao certo o que irá acontecer, quando irá recuperar, se irá recuperar 100%. Mas isso agora não importa muito. O importante é saber que vocês me deram uma demonstração de amizade e vocês sabem o quando isso é importante pra mim. Procuro ser amigo de todos, porque de ter amigos, porque detesto inimizades, atritos. O Rogério Amaral, que é meu primo, o Cláudio Brito, que conheceu a história da minha família em São Luiz Gonzaga, entendem bem porque sou assim, porque adotei essa filosofia de vida. Então era isso. Estamos vivos. E em mais alguns dias, além de vivos estaremos às ordens dos colegas indistintamente para ajudar a todos no que me seja possível. NÃO SE ARRISQUEM POR NADA”.