Coronavírus: José Aldo Pinheiro, que está recuperado, fala sobre a agressividade da doença

(Foto: arquivo/divulgação)

O jornalista e advogado José Aldo Pinheiro, nascido na Argentina, mas criado em São Luiz Gonzaga, é um dos grandes narradores de futebol do país e atualmente trabalha na Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Na segunda-feira (13), dia que marcou seu retorno às atividades profissionais na Guaíba, ele falou com a Rádio São Luiz, emissora onde iniciou sua vitoriosa trajetória na comunicação gaúcha, para contar como foi o período de luta contra o coronavírus COVID-19.

Zé Aldo sentiu-se mal na primeira quinzena de março. “Eu tive um período de hospitalização que não foi extenso, mas longo de sofrimento. Fiquei sete dias padecendo e então fui ao hospital. Disseram que os indicativos eram de contaminação, mas como eu era uma pessoa jovem e de boa saúde, talvez o ciclo pudesse ser vencido em casa. Fiquei mais três dias em casa e não suportei”, revela. A internação no hospital Moinhos de Vento veio na sequência, com um quadro de inflamação nos pulmões bastante acentuado. “No primeiro atendimento eram algumas áreas de contágio, mas no segundo o exame já indicava que havia se expandido rapidamente e aí decidiram pela minha internação e o início do tratamento experimental, antes mesmo do diagnóstico oficial da doença, que só viria dias depois”, comenta Zé Aldo. Foram cinco dias hospitalizado.

“Eu senti que estava morrendo no dia que estava indo para o hospital. Tem passagens da vida da gente, que a gente não consegue explicar, que são coisas de natureza imaterial. Meu pai é falecido, vítima de câncer, e aquele dia ele ‘apareceu’ para mim…”, lembrou, com a voz embargada. “Foi bastante difícil. A doença vai te destruindo”, concluiu emocionado.

Violência da doença

Zé Aldo comentou que seu grande medo era ter que usar o ventilador mecânico, pois o índice de paciente recuperados nesta condição é pequeno. “Eu fiquei no quarto, com acesso no braço, recebendo medicação e minha saturação nunca baixava de 95%, ou seja, meu pulmão teve boa capacidade de suportar”. “O problema é que existe uma complexidade, pois é uma doença nova e um vírus que os médicos ainda não conhecem em sua essência e por isso não sabem exatamente como lidar. Eles já ampliaram grupos de risco para fumantes, ex-fumantes, pois quando ela vai para o pulmão ela aceleradamente inflama o teu pulmão e cada dia é um dia a menos na luta pela sobrevivência”, explicou.

“Estou desestabilizado emocionalmente e quem passou por isso sabe. Você fica liquidado no estado físico, emocional, psíquico e espiritual. Se puderem se proteger, se protejam. Eu não bebo, não fumo, não tenho vícios e meu pulmão me ajudou. Protegi ele durante 54 anos e agora ele me protegeu, ainda que não tenha segurado sozinho – apoiado pela equipe médica do Hospital Moinhos de Vento”, comenta Zé Aldo.

Isolamento

Como paciente que enfrentou o terror da doença, o jornalista destacou que “estamos fazendo a nossa parte e empurrando a curva de contágio”. “Talvez a gente consiga ganhar tempo para encontrarem um conjunto de medicamentos eficazes e a gente tenha tempo de salvar vidas. A leitura que faço do cenário, que vejo como paciente que enfrentou, é que estamos conseguindo empurrar o pico da doença porque as pessoas ‘puxaram o freio’. Se assim não for, vai ser uma tragédia. Sei que as atividades da economia precisam ser retomadas. Penso que o governo deveria aumentar a testagem e conseguir uma forma de fazer o país voltar gradualmente”, concluiu.

Zé Aldo agradeceu o carinho dos amigos e de toda a comunidade são-luizense, que enviou centenas de mensagens de apoio. Ainda em recuperação, ele seguirá pelos próximos 20 dias em home-office.

 

Fonte: Rádio São Luiz