Setembro Amarelo: Campanha de Prevenção ao Suicídio ganha ainda mais relevância na pandemia

Privação do convívio social fez aumentar a procura por atendimento especializado

O Dia Mundial de Combate ao Suicídio transcorre na próxima quinta-feira (10/9). Por conta da data, desde 2015, no Brasil, se iniciou a campanha Setembro Amarelo, cujo objetivo é promover ações que abordem e busquem soluções para este que é um problema de saúde pública.

Conforme o psicólogo e especialista em saúde mental, Dieison Soares, os números no país são alarmantes. O Brasil está entre os 10 com maiores índices e o Rio Grande do Sul se destaca neste levantamento.

Ao lado dos adolescentes, que estão em uma fase de conflitos por conta da transição da infância para a vida adulta, o homem gaúcho, na faixa etária de 40 a 45 anos, está no grupo que mais comete suicídio. “São os dois perfis mais graves. No caso do gaúcho, tem essa figura do homem forte, que não precisa de ajuda e que é uma pessoa fechada, que não fala de suas emoções”, explica.

Falar sobre suicídio ainda é um grande tabu. Erroneamente, há o entendimento que abordar o tema pode incentivar a prática do ato. Contudo, explica Dieison, “quem passa por esse sofrimento precisa externar suas angústias”. “Precisamos estar com o ouvido ativo e sem preconceitos, conversar em um tom que a pessoa se sinta acolhida. Muitas vezes é constrangedor para ela admitir que não quer mais viver e por isso precisamos quebrar essas barreiras para poder ajudar”, destaca o especialista.

O atual cenário, de privação do convívio social, é visto com preocupação pelos profissionais, pois “como seres sociais precisamos de contato com as pessoas”. A pandemia fez crescer a procura por atendimento especializado.

Saber quando procurar ajuda é importante e alguns sinais podem ser observados pelo próprio paciente ou alguém próximo. “Quando eu não consigo mais dar conta das coisas, seja na minha rotina ou no meu trabalho, quando eu perco o interesse por coisas que antes me faziam bem e agora são indiferentes; são sinais que preciso conhecer. Tenho que saber o que me causa desconforto e procurar um profissional para conversar”, recomenda Dieison.

Como nem sempre o processo para conseguir atendimento especializado pelo SUS, por exemplo, é rápido, cabe frisar que existem outros canais. No Google, se digitar “CVV”, a pessoa será direcionada para o Centro de Valorização da Vida, uma organização que conta com pessoas dispostas a conversar e orientar pessoas em sofrimento. Além do espaço virtual, a organização disponibiliza o número 188. Falar é a melhor solução!

Por Kelvin Morais

Fonte: Rádio São Luiz