Aniversário de Jayme Caetano Braun: Vinícius Ribeiro fala sobre a obra, o legado e a construção da homenagem ao pajador

(Arquivo Pessoal/Divulgação)

Jayme, que morreu em 1999, completaria 97 anos hoje

Neste sábado, 30 de janeiro, Jayme Caetano Braun completaria 97 anos. Como forma de homenagear o artista, ao longo da semana nossa reportagem conversou com pessoas ligadas à vida e à obra do pajador. O especial foi ao ar ontem, no Olho Vivo, e será reapresentado hoje, a partir das 20h, na frequência 100.9 FM.

Uma dessas pessoas foi o escultor, admirador e autor de uma das biografias mais completas de Jayme, Vinícius Ribeiro. Durante a entrevista, realizada no ateliê do profissional, ele falou sobre a importância de Jayme para a identidade missioneira, sobre a voz que ele deu aos excluídos e, claro, sobre o monumento de seis metros que está em um dos trevos de acesso a São Luiz Gonzaga.

O pioneirismo

“Eu admiro nele a capacidade de conhecer a história de seu povo, passando para nós a visão dele do que foi o legado missioneiro e que nos faz uma região diferente. Nosso primeiro contato com a nossa história foi através dessa musicalidade”, comenta Vinícius.

“O poeta vê o mundo de forma diferente, ele enxerga o que ninguém vê. Passa como é ou deveria ser o mundo. Jayme tinha o domínio de uma das artes mais difíceis que é a pajada – a fala de improviso opinando sobre algo”.

As três etapas da poesia

No entendimento de Vinícius, a obra de Jayme se classifica em três etapas. A primeira falou das bravatas do dia a dia do homem do campo; a segunda etapa é quando ele conta do homem excluído, o gaúcho abandonado e que vivia ao redor da sociedade, dos índios; já a terceira etapa é contada por um Jayme mais maduro, com uma obra mais aprofundada, é quando ele começa a questionar a liberdade e procurar o sentido da vida, uma etapa mais filosófica e muito mais madura. “É uma obra que merece ser estudada em todos os aspectos”, afirma.

Monumento ao Pajador

Vinícius lembra que as três homenagens esculpidas por ele estão interligadas. A primeira foi uma estatueta (menor que o tamanho natural), que está no CTG Galpão de Estância, a partir dela surgiu o convite para fazer uma estátua (tamanho natural), que está em Porto Alegre. Foi lá, durante a inauguração, em 2006, que Vinícius foi questionado pelo tradicionalista e historiador Paixão Cortes: “E o que São Luiz está fazendo para homenagear Jayme?”.

O escultor, aos risos, lembra que aquilo lhe “deu um silêncio de dois segundos que parecia meia hora”. Mas a resposta veio de pronto: “Algo grandioso”.

A maior escultura já feita de Jayme Caetano Braun tem seis metros (sem o pedestal) e pesa nove toneladas. É o resultado do empenho de Vinícius, da Casa do Poeta, CTG Galpão de Estância, da comunidade e do Jornal A Notícia, especialmente do jornalista José Grisolia Filho que, segundo Vinícius, a cada edição do jornal fomentava essa construção.

Vinícius defende que agora é preciso aperfeiçoar o memorial para garantir que a história não se perca. “A homenagem marca o caminho para quem está chegando e o retorno para quem se perdeu. Uma sociedade sem cultura passa a ser bruta e instintiva, é um lugar péssimo para se viver. A cultura parece ser supérflua, mas ela é importantíssima”, conclui o escultor.

Para ler mais sobre a vida de Jayme Caetano Braun e processo de construção do Monumento ao Pajador, acesse o blog do Vinícius (link aqui).

Fonte: Rádio São Luiz