Equoterapia promove abordagem interdisciplinar para atendimento de pessoas com deficiência

Foto: Centro de Equoterapia Dragões do Rio Grande/Divulgação

A equoterapia é o nome atribuído ao método terapêutico que utiliza os movimentos do cavalo para promover o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência. A base para essas atividades é a equitação e uma abordagem interdisciplinar, ou seja, que envolve profissionais de diferentes áreas. Em São Luiz Gonzaga, o Centro de Equoterapia Dragões do Rio Grande (CEDRG) é uma entidade sem fins lucrativos que trabalha com esse método.

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Em entrevista à Rádio São Luiz FM 100.9, Ângela Cristina Cruz da Silva, presidente do Centro, descreveu alguns dos detalhes e ações desenvolvidas através da equoterapia. Esse método considera os movimentos rítmicos e repetitivos da marcha do cavalo, como um modo de melhorar a coordenação motora e o equilíbrio dos pacientes. Além disso, as atividades buscam a integração entre diferentes sistemas do cérebro.

Entre os benefícios apontados como resultados desse método, estão:  aquisição de maior mobilidade da pelve, coluna, adequação do tônus, maior simetria e melhor controle da cabeça. No Brasil, a Associação Nacional de Equoterapia (Ande), fundada em 1989, é a organização responsável por regulamentar a prática no território nacional, bem como orientar as entidades sobre os fundamentos técnico científicos do método.

“A equoterapia traz uma grande melhora para a coordenação motora do praticante, seja criança, adolescente, idoso ou qualquer idade que sofra um acidente”, aponta Ângela. Em geral, essa terapia é indicada para quadros de pessoas com doenças genéticas, neurológicas, ortopédicas, musculares e clínico-metabólicas; pacientes com sequelas de traumas e cirurgias ou distúrbios psicológicos e problemas aprendizagem e de linguagem.

Conforme explica a presidente do Dragões do Rio Grande, as sessões têm duração de 15 minutos e são acompanhadas por diferentes profissionais, incluindo, fisioterapeuta, psicólogo, instrutor de equitação e assistente social. Em 2024, foram atendidas cerca de 50 a 60 pessoas de diferentes idades, de forma gratuita. Fundado em 2002, o centro fica junto ao 4° Regimento de Cavalaria Blindada (RCB) de São Luiz Gonzaga.

Estrutura e manutenção

Na entrevista, Ângela abordou os desafios financeiros para a manutenção das atividades da organização sem fins lucrativos. A principal fonte de renda são emendas destinadas para a entidade que, neste ano, devem ficar em torno de R$370 mil. “Vai garantir praticamente um ano de atendimento”, pontua a presidente. A previsão é de que o recomeço das atividades aconteça em junho.

A entidade trabalha em parceria com a Secretaria de Saúde, responsável pela inscrição dos pacientes para atendimento. “Eu gostaria de buscar mais recursos para integrar, porque tem interesse de pais de Roque Gonzales”, menciona, sobre o desejo de expandir o trabalho na região.

Sobre o impacto da equoterapia na vida das pessoas, Ângela cita o exemplo que teve com o próprio filho e com outras crianças, por exemplo, com autismo e que apresentaram melhoras na socialização e autoconfiança. “Vi criança voltar a caminhar, vi paciente que sofreu acidente ali voltar à atividade normal. Então, a equoterapia tem uma grande proposta de recuperação da criança”, destaca.

Fonte: Rádio São Luiz