Dia Mundial do Meio Ambiente: um tema cada vez mais presente no cotidiano dos missioneiros

Pôr do Sol no Rio Inhacapetum- Foto: Divulgação/API
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma forma de conscientizar a sociedade para a defesa e preservação da natureza. Em São Luiz Gonzaga e na região das Missões, o tema ambiental tem estado cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Ondas de calor, chuvas extremas e secas revelam os impactos da degradação do meio ambiente e trazem consequências para a saúde, economia e a própria natureza regional.
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A intensificação de eventos extremos de estiagem e chuva está ligada diretamente às mudanças climáticas, decorrentes de ação humana no planeta. Cientistas alertam há anos sobre os riscos do desmatamento, da poluições e outros problemas ambientais para as condições de vida, conforme mostram os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), uma das principais organizações que estudam o tema.
“Nós temos chuvas secas mais prolongadas, chuvas mais volumosas e temperaturas que oscilam de forma bastante violenta. Então, é importante que a gente trabalhe as questões do meio ambiente, não só na Semana do Meio Ambiente, mas ao longo do ano todo”, aponta Rafael Meirelles, professor de Agronomia na UERGS São Luiz Gonzaga.
Rafael recorda dos anos consecutivos de estiagem que a região enfrentou e o impacto nas culturas agrícolas, com a necessidade de adaptação das plantas ao clima extrema. “É um momento em que, pela primeira vez, os ambientalistas e o setor produtivo estão tentando falar a mesma língua”, comenta, sobre a urgência de tornar a agricultura mais equilibrada, resiliente e sustentável.
A defesa dos rios
Uma das iniciativas da região responsáveis pela defesa do meio ambiente é a Associação Preserva Inhacapetum (API). Criada há quase quatro anos, a entidade trabalha na preservação do curso de água do Rio Inhacapetum, que atua como divisor entre os municípios de São Miguel das Missões, Bossoroca e Capão do Cipó. Atualmente, a API conta com 50 associados, incluindo pessoas de diversos municípios.
“Ele não é um rio ainda poluído. E por isso as pessoas às vezes nos perguntam, por que a gente criou a Associação? É justamente para a gente manter esse manancial da mesma forma como nós recebemos“, explica João Luis Furtado, presidente da API. Entre as ações diretas realizadas pela entidade estão a soltura de alevinos e o plantio de mudas de árvores no entorno do rio, para fortalecer as matas ciliares.
Nesta Semana do Meio Ambiente, a Preserva Inhacapetum vai realizar um seminário com estudantes de escolas municipais e estaduais de São Miguel das Missões. João Luis conta que a ação faz parte de um projeto aprovado pelo Condema (Conselho Municipal de Desenvolvimento do Meio Ambiente) de São Miguel das Missões para confeccionar e instalar placas com frases de conscientização ao longo do Rio. “Os alunos estarão nos ajudando a definir essas frases que estarão nessas placas de aço galvanizado”, complementa.
O presidente da API lembrou que o Inhacapetum, assim como o Rio Piratini, sofreu com a estiagem no início deste ano, com a diferença que no primeiro não existe tanta retirada de água para irrigação. João Luis também detalhou um convênio com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para fazer estudos técnicos no Inhacapetum. “Nós queremos saber o que precisamos fazer para manter as nascentes e as margens, enfrentando o problema dos assoreamentos”, disse.
As abelhas e a polinização
Em suas pesquisas, Rafael Meirelles trabalha com apicultura e meliponicultura e observa os impactos das mudanças climáticas nesses setores. De acordo com ele, a produção de mel no Rio Grande do Sul sofreu nos últimos anos com quebras de safra, ora por conta do calor e da seca, ora por conta do excesso de chuva.
“Essas mudanças que nós temos visto têm afetado as abelhas de forma que elas não conseguem sequer realizar a sua função ecossistêmica de tornar os sistemas mais resistentes e mais produtivos”, explica o professor da UERGS. Uma das principais funções desses insetos é a polinização, necessária para o desenvolvimento de diversas plantas e cultivares.
Rafael também cita a dificuldade de trabalhar o tema ambiental com adultos. Ele lembra de um episódio após a micro-explosão atmosférica que atingiu São Luiz Gonzaga e gerou uma onda de poda de árvores. “Muita gente acabou colocando nas árvores a culpa pela destruição, mas as árvores, na verdade, salvaram as casas de uma destruição maior ainda, porque elas servem como quebra-vento”, pondera.
Fonte: Rádio São Luiz



