O presidente da Câmara de Vereadores de São Luiz Gonzaga, João Iuri (Cidadania), participou na manhã desta quarta-feira, 25, do programa Olho Vivo. Durante a entrevista, fez uma ampla explanação sobre os trabalhos legislativos, os repasses financeiros da Câmara e respondeu a questionamentos sobre denúncias relacionadas ao uso de diárias dos vereadores.
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João Iuri iniciou falando sobre a política de repasses da Câmara ao município. Em sua primeira presidência, em 2022, coordenou a devolução de R$ 900 mil economizados do orçamento da Casa. Na época, havia solicitado que o valor fosse aplicado em melhorias no Estádio Municipal, o que não se concretizou devido ao encerramento do exercício fiscal. Para evitar que os recursos percam o destino, João propôs que os vereadores pudessem indicar a destinação das economias durante o ano. A proposta foi aceita pelo prefeito Piti Werle.
Desde março deste ano, a Câmara já indicou repasses que somam R$ 485 mil. Foram R$ 140 mil em março, com destaque para o apoio ao Projeto Conviver, à perfuração de poços nos assentamentos Campos do Pontão e Ximbocu, à Invernada Adulta do Departamento Nativista Carlos Bastos do Prado, ao grupo Recordar é Viver, ao Conselho Municipal de Segurança e demais projetos. Nos meses seguintes, outros R$ 345 mil foram destinados à Secretaria de Cultura (para o Canto dos Sete Povos), AGSL (Sub-20), Rotary (cadeiras de rodas), cavalgada, ação social (materiais de construção), novo setor de licitações da prefeitura, entre outros.
João Iuri informou que novas solicitações de apoio têm chegado, incluindo demandas da Equoterapia, Procon, Secretaria de Agricultura, Natal Luz e Expo São Luiz. Ele ressaltou, no entanto, que o orçamento da Câmara está se aproximando do limite, em razão da obra do prédio próprio do Legislativo, orçada em cerca de R$ 1,2 milhão. Segundo ele, nenhum recurso destinado até agora comprometeu o andamento da construção.
Sobre a obra da sede própria, o vereador informou que em julho será feito um repasse de R$ 60 mil para contratação de operários, estagiários, equipamentos e incremento de horas para a arqueóloga responsável pelas escavações no terreno. Com esse passo, ele acredita que o projeto – já pronto – estará apto para ser licitado. “Estamos dentro do cronograma, e o grupo que conduz a presidência está coeso quanto à continuidade da obra”, afirmou.
Outro tema destacado foi a visita de uma comitiva de odontólogos do grupo II, que pleiteia equiparação salarial por cumprir carga horária superior a outras classes da mesma área. João Iuri declarou solidariedade à causa e também chamou atenção para servidores municipais que recebem abaixo do mínimo. “A Câmara está atenta a essas questões e se solidariza com os trabalhadores”.
Em tom de crítica, o vereador apontou que nenhuma das comunidades do interior que representa – como Rincão Santana, Esquina União, São Lourenço, Rincão dos Pintos, Assentamento São Sebastião e Campos do Pontão – foi contemplada com horas-máquina, apesar de ele próprio ter feito a emenda ao orçamento de R$ 400 mil para majorar o orçamento com esse fim. “Fiz essa emenda porque acredito que a terceirização é fundamental para ajudar a Secretaria de Obras, que sozinha não consegue atender toda a demanda do interior”, disse. Uma reunião sobre o tema com o prefeito está prevista para esta sexta-feira.
João também sugeriu que o município celebre convênio com a URI para utilizar o ginásio da instituição, a fim de desafogar o ginásio JB Loureiro, que segundo ele está sobrecarregado com treinos da AGSL e outros eventos esportivos.
Sobre o Estádio Municipal, voltou a criticar a lentidão dos trâmites burocráticos. “A empresa que estava com a licitação ativa em dezembro pediu aditamento para incluir serviço de vigilância. A ordem de início já saiu, mas a empresa não responde. Isso é reflexo do excesso de burocracia da administração pública”, lamentou.
Denúncias e diárias
Por fim, João Iuri comentou sobre reportagem de um veículo de comunicação estadual a respeito do uso de diárias. Lembrou que denúncias similares ocorreram em 2023 contra a então presidente da Câmara, vereadora Rose Grings, mas foram arquivadas pelo Ministério Público e aprovadas pelo Tribunal de Contas. O mesmo caminho, segundo ele, está sendo seguido em sua gestão, com o arquivamento do caso pelo MP.
Para o presidente, que é o ordenador de despesas da Casa, as críticas ao uso de diárias têm conotação política. “Desde a criação da Comissão Pró-Hospital, que viabilizou mais de R$ 25 milhões para o Hospital, é necessário que os vereadores viagem a Brasília. Se a população entende que isso é errado, deve fazer essa avaliação nas urnas. E se houver muita repercussão negativa, serei o primeiro a propor a extinção da comissão, e nenhum vereador irá mais buscar recursos na capital federal”.
Sobre a recente aquisição de um veículo oficial da Câmara, destacou que o carro ainda não está em uso por falta da liberação do cartão de combustível. Ele também comparou os custos de viagens com carro próprio, que são mais elevados e desgastantes para os vereadores.
João encerrou a entrevista dizendo estar tranquilo quanto às ações de sua presidência. “Dei uma entrevista de 40 minutos (para a TV) explicando todos os pontos. Sei que nem tudo irá ao ar, então aguardarei a publicação para, se necessário, fazer o contraponto”.
Fonte: Rádio São Luiz

