Preservação dos biomas gaúchos ajuda a mitigar eventos extremos

Campos nativos do Pampa – Foto: Diego Pereira/Sema-RS

O Pampa e a Mata Atlântica são os dois biomas presentes no Rio Grande do Sul. A região das Missões fica em uma área de transição entre eles, mas na maior parte do Estado, o Pampa é o bioma que predomina, ocupando aproximadamente 69% do território gaúcho. No segundo episódio da série “Do Clima ao Campo”, da Rádio São Luiz, são descritos os desafios e as ameaças à preservação da biodiversidade gaúcha, assim como os benefícios da preservação ambiental no contexto de mudanças climáticas.

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Preservar a vegetação nativa possui ligação direta com a mitigação de eventos extremos de chuva e seca, principalmente, devido a capacidade dos ecossistemas em reservar a absorver água. No caso do Pampa, a principal característica do bioma são os campos nativos. Porém, desde 1985, o Pampa perdeu 3,8 milhões de hectares de vegetação, segundo dados do MapBiomas.

Biólogo e consultor ambiental, Eduardo Vélez explica que é preciso adaptar a maneira de lidar com os biomas diante das mudanças climáticas e de eventos extremos. “Temos que entender que a vegetação nativa é nossa aliada e desenvolver maneiras mais inteligentes de conviver com ela, porque a vegetação nativa é protetora, inclusive, da produção agrícola”, pontua, ao mencionar o papel da polinização para o desenvolvimento de plantas e culturas agrícolas.

O avanço de monoculturas é o principal fator que afeta os campos nativos do Pampa. Além disso, o bioma é o menos protegido do Brasil, com apenas cerca de 3% da sua área está protegida por unidades de conservação. Um dos reflexos da transformação do Pampa é a perda da capacidade do solo em reservar água. 

Professor de Gestão Ambiental na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Rafael Cabral Cruz aponta que a tendência é de que o intervalo entre períodos de chuva aumente no Rio Grande do Sul, com precipitações mais intensas em pouco tempo. 

“E a chave para mitigar impactos dessa mudança climática nas nossas bacias hidrográficas é, portanto, aumentar o armazenamento de água na terra. Isso só é possível aumentando a profundidade de raízes, ocupando essa profundidade de raízes”, comenta Rafael. Segundo ele, é necessário estimular a transição agroecológica e a diversificação de culturas agrícolas.

Confira o episódio completo:

Fonte: Rádio São Luiz