Infectologista explica chamada pública sobre uso de doxiciclina para prevenção de ISTs

Foto: Canva/Ilustrativa

O Ministério da Saúde (MS) abriu uma chamada pública sobre o uso de doxiciclina de 100 mg para prevenção pós-exposição às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente as causadas por bactérias, como clamídia, sífilis e gonorreia. O médico infectologista Sérgio David Jaskulski Filho explica que se trata de uma consulta à população sobre o uso desse antibiótico como profilaxia pós-exposição (PEP). A consulta é uma etapa necessária para incorporação desse tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

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A chamada, disponível na Plataforma Brasil Participativo, é baseada em estudos científicos que apontam a eficácia do uso de comprimidos de doxiciclina de 100 mg para prevenção de ISTs bacterianas. Segundo Sérgio, existe uma grande subnotificação dessas infecções que afetam tanto homens quanto mulheres, podendo causar complicações cardíacas e neurológica – no caso da sífilis – e infertilidade – no caso da clamídia.

“É um antibiótico para ambas as duas bactérias, com pouco efeito colateral e fácil uso, porque é só um comprimido e não é um conjunto de comprimidos, comparado com os antirretrovirais HIV”, destaca o infectologista. Sérgio alerta para o risco do avanço, principalmente da sífilis, com alta de casos na região e no Rio Grande do Sul.

Dados do Observatório de HIV/Aids do RS, apontam que a taxa de sífilis adquirida no estado era de 116 casos por 100 mil habitantes, em 2021. Essa taxa representa a segundo maior do Brasil e preocupa também pelo número de casos congênitos, quando a infecção é transmitida por gestantes para os filhos. Em 2021, o dados apontavam uma média de 14,2 diagnósticos a cada 1 mil nascidos vivos.

Embora não existam estatísticas sobre clamídia no Brasil, pelo fato da notificação da doença não ser obrigatória, a infecção demanda atenção por possuir características silenciosas. Segundo o Ministério de Saúde, em torno de 70% a 80% dos casos não apresentam sintomas. Sérgio pontua que, em gestantes, a clamídia também pode levar ao aborto espontâneo.

O médico também ressalta a importância de outras estratégias de prevenção, sendo a principal delas o uso de preservativos em qualquer relação sexual. “Outra prevenção é que, em caso de algum acidente na relação ou de estourar o preservativo, a pessoa deve procurar as emergências também do hospital e usar a medicação pós-exposição para evitar a infecção”, explica. Outra ação necessária é a realização de testes rápidos para identificação das infecções, o que ajuda também na identificação de outras doenças, como as hepatites.

Fonte: Rádio São Luiz