
Foto: Freepik/ilustrativa
O 1º Panorama da Desinformação no Brasil, estudo feito pela Agência Lupa, mostrou um avanço do uso da inteligência artificial (IA) para criar conteúdos falsos no Brasil. A pesquisa acende um alerta para os possíveis riscos do uso de vídeos e áudios manipulados com IA durante as eleições de 2026. Pesquisadora responsável pelo estudo, Beatriz Farrugia explica como funciona a produção dessas fake news.
Receba nossas notícias pelo WhatsApp
Criada em 2015, a Lupa é uma agência de checagem que trabalha com integridade da informação e com o combate à desinformação digital na sociedade. A pesquisa pioneira apresenta as informações falsas que mais circularam país, além de mapear tendências, alvos e as principais táticas de desinformação.
Um dos destaques do estudo é justamente o avanço das chamadas deepfakes, conteúdos gerados com tecnologia aprimorada para imitar imagens ou áudios reais. Esse tipo de fake e outras desinformações com IA cresceram 308% em números absolutos no último ano.
Em 2025, a Lupa identificou 39 casos (4,6% do total de checagens naquele ano) e, em 2025, esse número saltou para 159 em 2025 (25% das verificações), um aumento de 120 casos, equivalente a 20,4 pontos percentuais. Ou seja, uma em cada quatro desinformação foi produzida com recursos de IA.
Segundo Beatriz, a intenção de produzir o mapeamento veio da identificação da ausência de outros levantamentos sobre as principais desinformações que circulam no Brasil. A partir disso, a Lupa analisou as checagens realizadas ao longo dos últimos anos, com uma taxonomia (classificação) específica para diferentes tipos de conteúdos falsos.
O estudo também mostra uma mudança no uso das fakes com IA. Em 2024, essa estratégia era usada majoritariamente para criação de golpes digitais, por exemplo, com propagandas de sites fraudulentos. Já em 2025, quase 45% dos conteúdos com IA passaram a ter viés político ou ideológico, ante 33% no ano anterior.
Preocupação no contexto eleitoral
“A IA de fato se popularizou e está sendo usada em contextos para além dos golpes e das fraudes online. Essa informação é mais sensível no contexto de 2026 que nós temos eleições e um país politicamente polarizado”, aponta a pesquisadora. Ela lembra que a desinformação com IA foi apontada como um dos maiores riscos às democracias pelo Fórum Econômico Mundial.
A situação preocupa ainda mais por conta da qualidade técnica das peças produzidas com IA, isto é, conteúdos que quase não possuem falhas e parecem muito com a realidade. “O que nós temos são imagens cada vez mais ultra realistas, com poucas falhas, o que torna mais difícil a identificação de que é um conteúdo falto”, complementa Beatriz.
O estudo da Lupa aponta que mais de três quartos dos conteúdos com IA exploraram a imagem ou a voz de pessoas conhecidas em 2025. Entre as figuras que mais aparecem como alvo dessa estratégia estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), duas lideranças antagonistas do cenário político atual.
Existem resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbem o uso de IA em propagandas eleitorais, como as deepfakes. Ainda assim, Beatriz observa que esse tipo de desinformação deve crescer nas eleições deste ano. Para ela, é necessário reforçar a conscientização e a educação midiática da população para lidar com este contexto.
Como dicas para se proteger, as recomendações mais comuns são:
- Prestar atenção em detalhes com conteúdos, como ambiente, rosto e movimento das pessoas que aparecem nos vídeos;
- Evitar compartilhar informações com chamadas apelativas – “urgente”; “polêmica”, entre outras;
- Checar as informações em fontes confiáveis, sejam veículos de mídia ou órgãos oficiais;
- Buscar ferramentas para identificar deepfakes (algumas podem ser pagas).
Fonte: Rádio São Luiz
