Professora da região participa da 70° Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher na ONU

Foto: Arquivo Pessoal

A professora e ativista Rita Gattiboni foi uma das representantes brasileiras na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70). O encontro aconteceu entre os dias 9 e 19 de março, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O fórum reúne de diversos países do mundo para discutir a promoção da igualdade de gênero e o fortalecimento dos direitos das mulheres.

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Moradora de São Borja e natural de São Luiz Gonzaga, Rita é graduada em História e Direito, além de doutora em Desenvolvimento Regional. Atualmente, ela atua como docente na UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), no curso de especialização em gestão pública. Além disso, Rita é a criadora do blog “Evita Calar”.

A delegação brasileira na sessão foi coordenada pelo Ministério das Mulheres, com representantes de diferentes setores comprometidos com a promoção da igualdade de gênero, como integrantes do sistema de justiça, pesquisadoras e organizações da sociedade civil. Em Nova Iorque, Rita participou como representante da academia pela UERGS.

Neste ano, a sessão sobre a Situação da Mulher teve três eixos principais de discussão:

  • Garantir e fortalecer o acesso à justiça para mulheres e meninas – tema prioritário da sessão;
  • Participação política e enfrentamento às violências contra as mulheres – tema de revisão;
  • Empoderamento de mulheres idosas – tema emergente.

Segundo Rita, a participação no evento contribuiu tanto para conhecer o funcionamento de estruturas de debate da ONU (Organização das Nações Unidas), quanto em termos de conteúdo. “Além de ter a oportunidade de debatermos e conhecermos propostas, políticas públicas e ações que estão acontecendo no nosso país, também tomamos contato com outros países, com outras políticas públicas e outras ações”.

Em relação aos temas prioritários do evento, a professora relaciona os debates com o contexto brasileiro, em virtude dos elevados números de feminicídios e outros crimes relacionados à violência contra a mulher no país e no Rio Grande do Sul. Segundo ela, enfrentar esses problemas envolve trabalhar com educação para romper com preconceitos estruturais.

“É importante que nós consigamos estabelecer um diálogo para que todos e todas possam externar o que pensam para que possamos desconstruir concepções preconcebidas, preconceituosas, equivocadas e que autorizam as violências contra as mulheres“, destaca Rita. Como exemplo, ela menciona expressões que visam impor padrões de comportamento para mulheres e meninas.

Um outro aspecto abordado pela professora e ativista é a circulação de discursos de ódio e da misoginia nas redes sociais. Em muitos casos, o consumo de conteúdos com esse viés ajuda a reforçar o machismo e a construir o contexto para que violências aconteçam.

“As pessoas se sentem autorizadas a dizerem que nós somos, quando uma das partes se sente autorizada a pensar que a outra parte é inferior ou subordinada a si, isso já autoriza a violência. Então, quando nós falamos em desconstruir modelos violentos, precisar começar nas nossas práticas cotidianas”, enfatiza Rita Gattiboni.

Fonte: Rádio São Luiz