Meteorologista detalha previsão de tempo severo para o RS e relação com o El Niño

Foto: Divulgação/NOAA
O meteorologista Murilo Lopes concedeu entrevista nesta sexta-feira (17/07) para explicar os fatores que estão associados às previsões de tempo severo no Rio Grande do Sul. Pesquisador do Grupo de Modelagem Atmosférica (Gruma), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Murilo explica que o sistema que tem causado ventos intensos e deve trazer uma nova frente fria possui relação com o aquecimento do Pacífico e o fenômeno El Niño.
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A tendência é de mais dias com temperaturas elevadas no Rio Grande do Sul e também nas Missões, em virtude da corrente de vento que sopra do Norte. “Temos um sistema meteorológico bastante intenso que vai se deslocando a partir do Pacífico em direção à América do Sul. É um sistema bastante lento, que vai ser o responsável por trazer essa instabilidade também e contribui para esse rápido avanço desse ar mais quente”, detalha.
Segundo o metorologista, essa condição deve prevalecer na região Noroeste até o início da próxima semana, com maior risco de chuva e temporal no final do sábado (18) e no domingo (19). “Temos uma condição de bloqueio atmosférico que vai favorecer com que essa frente fria fique parada sobre o Rio Grande do Sul”, acrescenta.
Ainda que a região Central do Estado tenha previsão de registrar os maiores acumulados de precipitação, existe risco de temporais com descargas elétricas, chuva forte e queda de árvores na região das Missões.
“Esse é o primeiro episódio diretamente que podemos ligar com o El Niño, porque esse sistema meteorológico tem uma contribuição bastante forte exatamente do Oceano Pacífico mais aquecido”, aponta Murilo. Recentemente, a NOAA (agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos) atualizou o prognóstico para o fenômeno, com 81% de chance de um El Niño “muito forte” no final deste ano.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e causa reflexões nos sistemas de regulação do clima em todo o planeta. Para a região Sul do Brasil, o fenômeno intensifica o risco de temporais e chuvas intensas, ainda que não seja responsável direto ou isoladamente por eventos climáticos extremos, que estão associados ao aquecimento global e à ação humana no planeta.
Fonte: Rádio São Luiz



