
Fotos: Arquivo Pessoal
O mercado de trabalho com criação de conteúdo em plataformas digitais tem crescido no Brasil e em outros países de forma acelerada. Entender os modelos de negócio e as dinâmicas do cotidiano de influenciador digitais são os temas do livro “Como a Influência Virou Negócio”, lançado recentemente pelo pesquisador Caio Motta, doutorando em Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (POSCOM/UFSM).
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Em entrevista à Rádio São Luiz FM 100.9, Caio conta que a ideia para a pesquisa surgiu após um evento com influenciadores que participou em São Paulo. “Aquilo me chamava a atenção, como aquelas pessoas conseguem capturar a a atenção de tanta gente?”, relembra. Essa inquietação se tornou o ponto central da dissertação de mestrado dele e, agora, da sua pesquisa de doutorado.
Segundo dados do relatório “The Creator Revolution”, cerca de 10 milhões de brasileiros produzem conteúdo original para redes sociais, em maior ou menor quantidade. Isso representa 1 em cada 20 brasileiros, contudo, menos de 4% vivem exclusivamente da sua atividade como criadores. Outro estudo, batizado de “Creators e Negócios”, mostra que mais da metade (53%) das pessoas que se intitulam criadores de conteúdo ainda dependem de um trabalho com carteira assinada.
Para compreender melhor a realidade do trabalho dessas pessoas, Caio passou a frequentar eventos e também produzir conteúdos para suas redes. “No primeiro momento foi bem desafiador, porque postava conteúdo para os meus amigos”. Além disso, ele também criou o podcast Não São Vozes da Minha Cabeça, que esteve no ar entre 2024 e 2025.
Ao longo desse processo, o pesquisador da UFSM realizou 19 entrevistas com diversas pessoas que fazem parte da economia de criadores, como Luciano Potter, do Grupo RBS e podcaster, e Lucas Galdino, do canal Histórias de Ter.a.pia, Deh Bastos, publicitária e criadora do perfil Criando Crianças Pretas; Ana Paula Passarelli, da Brunch, entre outros.
Caio cita os questionamentos que cercam o cotidiano de quem trabalha com produção de conteúdo. Ao mesmo tempo em que essa pode ser uma alternativa para pessoas de diferentes áreas, também é um mercado de trabalho criativo frequentemente desvalorizado. “Esse questionamento ao trabalho criativo sempre foi feito e, na criação de conteúdo, acaba sendo mais inseguro ainda, porque um criador de conteúdo fica dia inteiro produzindo, tem uma rotina de se conectar com marcas, ele precisa contratar um monte de gente e, muitas vezes, é um negócio de uma pessoa só”, descreve.
O pesquisador da UFSM destaca ainda a necessidade de produzir conhecimento sobre esse universo de trabalho digital. “Um dos grandes problemas que a gente tem hoje é informação do que é empreender na internet. Isso foi uma preocupação que me motivou a criar conteúdo, porque é muita gente falando muita coisa, só que muita gente falando muita coisa errada”, alerta Caio.
O livro, publicado pela Editora Viseu, também é uma forma de sintetizar as experiências obtidas durante o processo de pesquisa e de vivência de Caio, além de trazer o tema para o contexto do interior gaúcho. Segundo ele, uma das preocupação na escrita da obra foi tornar a obra acessível para diferentes públicos. O livro está disponível para compra pela Amazon e pode ser encontrado pelo perfil de Caio no Instagram.
Fonte: Rádio São Luiz
