Temporal destruiu galpões e causou prejuízos em lavouras e propriedades rurais da região

Infraestrutura rural destruída em São Nicolau (Foto: Patricia de Oliveira Padilha / Emater)
O temporal deste início de semana que atingiu a região das Missões causou estragos também no meio rural. Imagens registradas por produtores e extensionistas da Emater RS/Ascar mostram galpões destelhados, estufas destruídas e lavouras com plantas devastadas. Em alguns casos, houve perda total em cultivos de hortaliças e pomares, além de animais mortos em desabamentos de infraestruturas rurais.
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Engenheiro agrônomo e extensionista da Emater Regional de Santa Rosa, Gilmar Vione conta que praticamente todos os municípios das Missões registraram danos em suas áreas rurais. Entre as localidades mais afetadas está o Assentamento Cambaí, em São Nicolau, onde toda a comunidade foi atingida, com perdas totais em plantações de canola, trigo e milho.
Em outras localidades, as perdas variam desde 30% até 100% da produção. Os levantamentos ainda estão em andamento, em uma parceria entre a Defesa Civil, os municípios e a Emater. Em Sete de Setembro, Garruchos e Caibaté, por exemplo, os danos incluem destelhamento de galpões e armazéns devido aos ventos intensos e à queda de granizo.
“Também nas lavouras aconteceram danos, principalmente, nas culturas do milho, que já tinha uma boa parte da região com o plantio feito. Também nas lavouras de canola, que em sua grande maioria estavam na fase final de desenvolvimento e indo para maturação, algumas já em ponto de colheita”, descreve Gilmar. Foram reportados danos também na cultura do trigo.
O extensionista destaca a situação de pequenos produtores de hortaliças e frutas: “pomares tipo de pêssego, de laranja, estavam no início da frutificação, então houve um prejuízo muito grande”.
A preocupação com a produção agrícola na região aumenta diante das previsões que indicam uma primavera chuvosa e do contexto de extremos climáticos mais frequentes, associados ao aquecimento global. “A longo prazo, vamos ter que repensar nosso sistema todo de produção… Todos os países tem que se preocupar com isso e o nós vamos ter que fazer a a nível local, a nossa parte”, aponta Gilmar.
Em termos mais imediatos, o engenheiro agrônomo indica a importância de trabalhar a conservação do solo, como alternativa para mitigar os dados de eventos de chuva intensa. “Reconstruir os terraços ou até construir terraços nessas áreas que não tem esse sistema de contenção da enxurrada, para diminuir o escorrimento superficial. Também um preparo do solo, no sentido de praticar algumas operações como a subsolagem ou a escarificação, para tentar romper camadas compactadas do solo e fazer a água infiltrar um pouco mais. Trabalhar muito com planta de serviço e planta de cobertura, para não deixar o o solo descoberto”, orienta.

Lavoura afetada por temporal em Garruchos (Foto: Ezequiel Perini Pavelacki / Emater)

Galpão destelhado em Sete de Setembro (Foto: Glauco Strieder / Emater)

Estragos em propriedade rural de Garruchos (Foto: Ezequiel Perini Pavelacki / Emater)

Dano em estufa de morangos em Caibaté (Foto: Elói Vogt / Emater)

Dano em lavoura de Canola em São Nicolau (Foto: Patricia de Oliveira Padilha / Emater)
Fonte: Rádio São Luiz




