Projeto de Unidade de Conservação prevê combinar preservação e atividades econômicas sustentáveis

Campos com capim barba-de-bode (Foto: Eduardo Velez/Instituto Curicaca

A proposta para criação de uma Unidade de Conservação (UC) na região tem como foco à preservação dos campos missioneiros e das matas de pau-ferro. Ainda em fase inicial, o projeto está sendo elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e não prevê a desapropriação forçada de produtores, mas combinar a preservação com atividades econômicas sustentáveis, como a pecuária e o turismo ecológico.

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Em entrevista à Rádio São Luiz FM 100.9, o agrônomo e coordenador técnico do Instituto Curicaca, Alexandre Krob, explicou detalhes sobre a proposta e desmentiu informações equivocadas que associam a criação da UC com processos antigos de desapropriação de terras e com o impedimento de atividades econômicas. A entidade sem fins lucrativas é uma das parceiras do ICMBio na elaboração de estudos técnicos do projeto.

Alexandre lembrou que o Pampa é um dos biomas menos protegidos do Brasil. Dados do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) confirmam que apenas 3% da área do bioma é protegida por unidades de conservação. A proposta da UC visa estimular a pecuária missioneira, o turismo ecológico e a pesquisa científica, além de preservação de espécies endêmicas do Pampa.

“As matas de pau-ferro passaram por um período muito forte de uso de exploração para a produção de carvão e compõem essas estratégias de conectividade que acompanham os grandes rios formadores de todo o Rio Grande do Sul. Nesse caso, especialmente da região missioneira, temos algumas espécies mais emblemáticas para a proposta dessa Unidade de Conservação, principalmente, o capim-barba-de-bode“, explica o agrônomo.

A proposta de elaborar estudos sobre a UC nasceu após oficina nacional em Brasília, que priorizou áreas para novas Unidades de Conservação federais em todos os biomas. O processo está em fase inicial e prevê diversas etapas de diálogo com as comunidades locais. O ICMBio já iniciou a primeira fase de contato com as prefeituras dos municípios da região, além de reuniões com especialistas.

O coordenador técnico do Instituto Curicaca ressaltou que a construção de uma área dedicada à preservação do Pampa inclui a participação e presença de atividades tradicionais do bioma, como a pecuária. Para isso, uma das possibilidades é a criação de uma Área de Preservação Permanente (APA), como já ocorre em outros locais do bioma.

“É um erro usar como referência situações que foram usadas lá na década de 1970. Em que algumas unidades de conservação que foram criadas buscavam que as pessoas fossem retiradas das suas áreas. Hoje em dia, principalmente pro Pampa, não se trabalha mais com essa estratégia. É uma estratégia de convivência das pessoas e das atividades sustentáveis tradicionais”, complementa Alexandre.

Ainda em relação às áreas que seriam destinadas para a Unidade de Conservação, o especialista destaca que são territórios com solos impróprios para a mecanização agrícola, ou seja, a criação da UC não iria trazer impactos negativos para a produção agrícola regional.

Matas de pau-ferro (Foto: Eduardo Velez/Instituto Curicaca)

Fonte: Rádio São Luiz