Quais as estratégias para o controle do carrapato bovino?

Foto: Divulgação/Seapi RS
O carrapato bovino é uma das principais preocupações de pecuaristas em diferentes localidades. Dados da Emater/RS-Ascar estimam perdas de R$ 300 milhões por ano, no Rio Grande do Sul, devido aos impactos do parasita na pecuária. Na região das Missões, o carrapato gera perdas tanto na produção de leite, quanto na pecuária de corte.
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O principal reflexo da presença do carrapato é a queda no ganho de peso dos animais, além de ser vetor da tristeza parasitária bovina, considerada a principal causa de morte de bovinos no Estado.
Médica veterinária e fiscal da Inspetoria de Defesa Agropecuária de São Luiz Gonzaga, Manuela Manta explica que um dos principais desafios no controle do parasita é a resistência aos produtos usados no seu manejo.
Manuela explica ainda que a maioria dos carrapatos são encontrados no ambiente e não nos animais. Estimativas indicam que 95% da população de carrapatos permanece no solo e no pasto. “Todo o controle do carrapato é em cima de um planejamento estratégico. Uma das principais causas da resistência aos carrapatos é o uso desenfreado dos princípios ativos”, aponta a médica veterinária.
Levantamento do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), revela que 70% das propriedades gaúchas já apresentam multirresistências. Isso significa que os parasitas não respondem a pelo menos quatro das sete classes de produtos disponíveis. Em 5% das propriedades, não há eficácia em nenhum dos produtos comercializados.
Diante desse contexto, ganha ênfase o manejo correto e o uso de produtos apropriados para o contexto local de cada propriedade, algo vital para reduzir os impactos do parasita. Segundo Manuela, o período de tratamento e manejo é mais um fator que incide sobre a presença do carrapato.
“O principal manejo estratégico é começar o tratamento antes do início do verão, do período de calor e período chuvoso”, destaca. Além disso, ela menciona a importância do combate à primeira geração dos parasitas.
Uma das ferramentas utilizadas para o controle correto é o biocarrapaticidograma, teste que ajuda a identificar os tipos de princípios ativos que podem ser utilizados na propriedade. Esse processo é feito em parceria com um laboratório em Eldorado do Sul, onde são feitas as análises de amostras do parasita.
Os pecuaristas podem buscar o apoio da Inspetoria para realizar o diagnóstico e outras orientações. “Eliminar 100% do carrapato numa propriedade, além de difícil e quase inviável, não é o que a gente quer. A gente precisa de uma baixa carga parasitária para desenvolver imunidade nesses animais e evitar as mortes por tristeza parasitária bovina”, complementa a médica veterinária.
Em São Luiz Gonzaga, a Inspetoria fica na Rua Bento Soeiro de Souza, número 2448, e pode ser contata pelo telefone: (55) 3352-1438.
Fonte: Rádio São Luiz


