Procon de São Luiz Gonzaga registra aumento de reclamações sobre contas de energia elétrica

Foto: Canva/Ilustrativa

O Procon de São Luiz Gonzaga/RS registrou aumento no número de reclamações envolvendo a CPFL/RGE em 2026, com parte das demandas relacionada à elevação do consumo e dos valores das contas de energia elétrica. Conforme relatou o coordenador do órgão, Adriano Lemes Machado, em entrevista à Rádio São Luiz nesta segunda-feira (17/08), as diferenças passaram a ser observadas principalmente nas faturas referentes aos meses de julho e agosto, com alguns registros já em junho.

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Segundo os dados apresentados pelo coordenador, o Procon contabiliza 82 reclamações contra a CPFL/RGE em 2026, considerando o mesmo período em que, no ano passado, haviam sido registradas 41 ocorrências.

O Procon está recebendo e registrando consumidores que relatam aumento nas faturas, inclusive em imóveis onde, segundo os usuários, não houve mudança significativa no padrão de consumo. Entre os procedimentos adotados estão a análise do histórico, a verificação de possíveis divergências nas leituras e nos valores cobrados, o pedido de esclarecimentos à concessionária e o encaminhamento de notificações quando necessário.

Um dos pontos considerados durante a análise é o reajuste tarifário de 14,93%. O percentual incide sobre a tarifa e não altera a quantidade de energia efetivamente consumida, registrada em quilowatts-hora (kWh). Por isso, mesmo que uma residência mantenha o mesmo consumo, o valor final da conta pode apresentar elevação em decorrência do reajuste.

Machado explicou que a avaliação realizada pelo Procon considera principalmente o histórico de consumo em kWh, e não apenas o valor em reais da fatura. Dessa forma, são comparadas as médias anteriores com o consumo registrado no período questionado. O coordenador citou situações em que consumidores passaram de médias próximas de 180 kWh para cerca de 570 kWh sem relatarem aquisição de novos eletrodomésticos ou mudanças na rotina da residência. Também mencionou casos com diferenças maiores na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026.

Entre os exemplos apresentados durante a entrevista está o de um consumidor que teria passado de uma média mensal entre 25 e 30 kWh para mais de mil kWh. Em outra situação, o consumo teria aumentado de aproximadamente 50 kWh para 542 kWh. Machado também relatou o caso de um homem que mora sozinho e teve o consumo elevado de 44 kWh para aproximadamente 440 kWh no mês de julho. Segundo ele, os relatos dos consumidores apontavam ausência de alterações na rotina que justificassem essas diferenças.

As reclamações relacionadas a essas diferenças começaram a chegar ao órgão por volta da metade de julho. A concessionária possui prazo para responder às notificações encaminhadas, e, conforme o coordenador, ainda não havia retorno para parte das demandas. Ele afirmou ainda que a situação não está restrita a São Luiz Gonzaga e que outros Procons do Rio Grande do Sul também registram casos relacionados às contas de energia.

Segundo ele, a conta apresenta valores relacionados ao consumo de energia e ao uso do sistema de distribuição, conhecido como TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição). Machado afirmou que, antes do reajuste, a soma dos valores citados correspondia a aproximadamente R$ 0,82 por kWh e que atualmente está em torno de R$ 0,94. “Se tem lá no teu talão R$ 1,03, está errado. Se tem R$ 1,17, também está errado”, afirmou o coordenador. Nesses casos, ele orienta que o consumidor procure o órgão para análise. “A gente pede para o consumidor que nos procure. Vamos enviar notificação para fazer a revisão da fatura”, acrescentou.

Nos casos em que o consumo em kWh estiver acima do padrão habitual, a orientação é verificar se ocorreram mudanças na rotina do imóvel, como maior utilização de equipamentos, instalação de novos aparelhos, entrada de moradores ou possíveis problemas na rede elétrica interna. Caso não seja encontrada uma justificativa para a elevação, o consumidor pode registrar reclamação para que sejam avaliados a leitura, o medidor e o faturamento.

Além das contas de energia, o Procon informou que também recebe reclamações relacionadas ao abastecimento de água. Machado citou um caso em que uma residência que normalmente registrava consumo entre 15 e 20 metros cúbicos teria passado para aproximadamente 300 metros cúbicos, resultando em uma fatura superior a R$ 5 mil. Segundo o relato apresentado na entrevista, um laudo não identificou vazamento dentro do imóvel, mas foi constatado vazamento na rua, antes do hidrômetro.

O órgão continua recebendo ainda demandas relacionadas a serviços de telefonia, principalmente envolvendo contratos com período de fidelidade e multas por cancelamento antecipado. O coordenador orientou que o consumidor formalize o cancelamento quando não quiser mais utilizar o serviço e procure o Procon caso tenha questionamentos sobre a multa aplicada. Também são registradas reclamações relacionadas ao pós-venda e ao cumprimento de garantias de produtos e serviços.

O atendimento presencial do Procon de São Luiz Gonzaga ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 16h. Os consumidores também podem entrar em contato pelo WhatsApp (55) 3352-3199.

Fonte: Rádio São Luiz