Psicóloga alerta sobre os riscos da internet na vida dos jovens

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(Foto: divulgação/arquivo pessoal)

Na semana passada, em virtude do massacre ocorrido em Suzano, São Paulo, no qual oito pessoas foram mortas, além dos próprios atiradores, nossa reportagem entrevistou a psicóloga Luciana Morais Costa Beber sobre os riscos que a internet traz para a vida dos jovens. O caso paulista está sob investigação, mas há indícios de que um dos assassinos teria publicado mensagem sobre o crime na ‘deep web’, espaço que é considerado o submundo da internet. Há ainda o fato – já comprovado – que o arco e flecha utilizado no crime foi comprado em um site de vendas online.

Tais acontecimentos, lançam alerta sobre os perigos da internet. Cabe destacar que o objetivo do texto é chamar a atenção para questões como o isolamento social, influência no comportamento e quais os sinais podem ser observados quando algo não está certo.

Confira algumas perguntas da entrevista que vai ao ar amanhã (18):

O destaque na mídia pode ser encarado como “recompensa” para os atiradores?

No meu ponto de vista a cobertura intensa da mídia acaba recompensado os atiradores (assassinos) e os tornando famosos. Isso pode inspirar novos atiradores e novos ataques. O ideal seria focar nas vítimas e nos heróis da tragédia.

Quais cuidados precisam ser tomados?

Mais do que nunca, o diálogo e a confiança entre pais e filhos é a melhor solução para evitar problemas. Crianças e adolescentes precisam de limites, principalmente na internet. Ela não pode ser vista como um mostro, pois é uma rica fonte de informações e uma aliada nos estudos, mas há cuidados que precisam ser tomados, tais como: limite de utilização, saber em quais sites eles navegam, ler as publicações que eles divulgam, manter o computador em área da residência onde todos possam ter acesso, não permitir ligar web cam para desconhecidos, entre outros.

O acompanhamento dos pais, o diálogo e a confiança ainda são as melhores tecnologias de segurança. Sempre que perceber algo errado denuncie.

Como lidar com a influência das redes sociais no comportamento deste grupo?

A influência das redes sociais na vida dos jovens atualmente é separada por uma linha tênue entre os pontos positivos e negativos. Estar conectado faz parte do mundo moderno e o ambiente online é importante, pois nele o jovem se atualiza e interage com os amigos.

Tudo isso, no entanto, necessita de limites e de controle dos pais. Estar conectado de forma intensa pode se transformar em um vício.

Como as instituições de ensino podem ajudar?

Um dos grandes desafios da educação no século XXI é conscientizar os estudantes sobre os momentos adequados de utilizar o dispositivo móvel na escola. Neste ambiente, na maior parte do tempo, é necessário deixar o aparelho de lado e focar a atenção na aula. No entanto, a tarefa de conscientizar os jovens sobre o momento certo de utilizar esses recursos não é nada fácil.

Hoje, as escolas estão adotando plataformas para troca de informações e aproximação do professor com os alunos. É importante que eles definam regras para o uso desses dispositivos na escola.

Mudanças nos padrões de sono e alimentação e perda de interesse em atividades que costumavam desfrutar, são indicativo de que algo está errado. Quais outros sinais podem ser observados?

Mudanças dos padrões de comportamento, isolamento, afastamento das atividades sociais e familiares, mudança no modo de vestir, passar muitas horas ligados na frente dos jogos e das redes. Todos são pontos de alerta para os responsáveis.

Em que momento se deve buscar ajuda profissional?

Procurar ajuda de profissionais é importante para que situações não se cornifiquem. Observe as crianças, diante de qualquer indício de distanciamento da família por causa de um dispositivo móvel, acenda o alerta. Mantenha sempre o diálogo, o amor e a aproximação de Deus, fatos cada vez mais ausentes nos lares.

Luciana Morais Costa Beber é psicóloga. Seu telefone é 55 9 9705-0505

Fonte: Rádio São Luiz