Arqueóloga Kelli Bisonhim explica a importância dos vestígios jesuíticos descobertos em São Borja
A arqueóloga Kelli Bisonhim, da empresa Sophia Cultural, participou nesta sexta-feira, 2, do programa Olho Vivo para falar sobre sua atuação na recente descoberta de vestígios da Redução Jesuítica de São Francisco de Borja, um dos Sete Povos das Missões do Século XVII.
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A descoberta ocorreu quando uma empresa abriu um buraco para instalar as sapatas de uma quadra no Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Praça XV de Novembro, em São Borja. Durante a escavação, foram encontradas estruturas feitas com a pedra itacuru, conhecida por estar associada às construções do período jesuítico. Kelli, então, foi chamada para investigar o local.
Ela descreveu a estrutura descoberta como uma formação circular, semelhante a um poço, mas muito rasa para essa função. Embora ainda esteja desenvolvendo hipóteses, uma possibilidade é que o local tenha sido utilizado como armazém para guardar alimentos, uma prática comum na época. A estrutura encontrada é inédita entre os Sete Povos das Missões.
O local da descoberta passou por quatro ocupações diferentes antes do atual Colégio: a Redução Jesuítica, uma ocupação militar, um período de repovoamento e o Chalé do Internato das Irmãs. Foram encontrados materiais e artefatos de todas essas fases, incluindo estruturas da Redução, cartuchos e metais da ocupação militar, porcelanas do período de repovoamento e bonecas de porcelana do internato.
Kelli destacou o desafio de equilibrar a preservação do patrimônio arqueológico com as necessidades da escola. Uma solução encontrada foi a instalação de janelas arqueológicas para exibir as estruturas sem afetar a quadra. Essas janelas também poderão ser usadas para fins pedagógicos.
Atualmente, está sendo elaborado um projeto de engenharia para proteger o local e possibilitar visitas, mediante agendamento com a escola. Kelli afirmou que o potencial arqueológico de São Borja é imenso, pois a cidade foi construída sobre a planta reducional e pouco se estudou sobre esse período. Ela vê a descoberta como uma oportunidade para fortalecer o turismo e movimentar a economia local, referindo-se às janelas arqueológicas como “uma janela do tempo e de oportunidades”.
Fonte: Rádio São Luiz






