Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais aponta os impactos da estiagem na agricultura familiar

Foto: Emerson Scheis

Após um período de estiagem prolongado, uma recente chuva registrada na região trouxe certo alívio para os agricultores, ainda que não suficiente para reverter às perdas acumuladas. Rafael Dalenogare Paz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Luiz Gonzaga e Rolador, destacou que as precipitações proporcionam ânimo à classe, mas já é evidente que as perdas, especialmente nas lavouras de soja, são significativas.

Receba nossas notícias pelo WhatsApp

De acordo com levantamento preliminar realizado em parceria com instituições como Emater/RS-Ascar e Coopatrigo, a estimativa inicial de perda na produção chega a 50%, podendo ser ainda maior após o período de sol que antecedeu as chuvas. Com os decretos de emergência já emitidos tanto por São Luiz Gonzaga quanto por Rolador, buscam-se medidas para enfrentar a crise agrícola. A falta de chuvas nos últimos três anos, seguida por um período de excesso de precipitações, intensificou a pressão sobre os produtores, que enfrenta custos elevados de produção e baixa rentabilidade.

A monocultura, especialmente a soja, demonstrada ser pouco viável para pequenas propriedades em cenários adversos, conforme Rafael. Ele defendeu a diversificação como uma estratégia essencial para garantir maior resiliência econômica. Propriedades que combinam atividades como pecuária, produção leiteira e cultivo de pastagens como alfafa apresentam resultados melhores. No entanto, ele ressaltou uma diminuição drástica do número de produtores de leite na região, um reflexo das dificuldades econômicas e climáticas.

Iniciativas como a Cooparte, cooperativa Agroindustrial e Artesãos que reúne mais de 100 associados, contribuem para a geração de renda em pequenas propriedades. A organização tem viabilizado o acesso ao mercado, especialmente através do fornecimento de produtos para a merenda escolar, demonstrando o potencial de modelos diversificados e cooperativos.

O sindicato também está engajado em pautas emergenciais, como o endividamento dos agricultores, propondo a repactuação de dívidas a longo prazo para aliviar a pressão financeira. A FETAG, em articulações com lideranças regionais, prevê uma reunião estadual para debater soluções e organizar o Grito de Alerta, ação tradicionalmente voltada a chamar atenção para os desafios do setor. A antecipação do evento para março reflete a urgência das demandas atuais.

Além disso, o sindicato está promovendo debates regionais com lideranças municipais, cooperativas, entidades e representantes do comércio, traçando estratégias de médio e longo prazo para a sustentabilidade da agricultura familiar. Rafael enfatizou a necessidade de adaptação às mudanças climáticas e econômicas, propondo um diálogo coletivo para redefinir a matriz produtiva da região. O momento, segundo ele, exige ações concretas e imediatas, além de um planejamento consistente para o futuro.

Fonte: Rádio São Luiz