Rádio São Luiz

Dilemas na privatização da Corsan trazem incertezas sobre futuro dos serviços de água e saneamento no Estado

Foto colorida de estação de tratamento da Corsan em Santa Rosa

Companhia foi vendida para o Grupo Aegea – Foto: Divulgação/Corsan

A privatização da Companhia Riograndese de Saneamento (Corsan) tem gerado uma série de disputas judiciais e um quadro de incertezas sobre o futuro dos serviços de saneamento básico no Rio Grande do Sul. Na última segunda-feira, 23 de janeiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da companhia à empresa Parsan e Saneamento Consultoria (Sanco), que pertence ao Grupo Aegea. Cercado por dilemas e discussões, o tema envolve a prestação de serviços essenciais para a saúde e qualidade de vida das pessoas.

De acordo com dados do Atlas Esgotos, no Brasil, somente 55% da população possui tratamento de esgoto considerado adequado. Além de comprometer a qualidade da água e afetar a saúde da população, a falta desse serviço impacta mais de 110 mil km de trechos de rios, poluídos devido ao excesso de carga orgânica.

No Estado do Rio Grande do Sul, dados de 2021 do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), apontam que apenas 34,2% da população possui serviços de tratamento de esgoto e 86,9% tem acesso à rede de água. Em São Luiz Gonzaga, segundo o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC), com dados do SNIS, apenas 45,5% da população é atendida com esgotamento sanitário e 88,41% possui abastecimento de água. Números que revelam a necessidade de soluções para o setor.

Por conta deste cenário, em 2020 foi aprovada a lei n° 14.026 que atualizou o marco legal do saneamento básico no Brasil. Além de estabelecer padrões de qualidade e eficiência na prestação, manutenção e operação dos sistemas de saneamento básico, a nova legislação define metas para a universalização dos serviços de água e esgoto no país. Segundo o marco, até 2033, 99% da população deverá ter acesso a água potável e 90% ao tratamento adequadro de esgoto.

É com base nos dados sobre saneamento básico e nas metas do novo marco do setor, que se discute a privatização da Corsan. O governo do Rio Grande do Sul alega que a venda da companhia é uma alternativa para estimular os investimentos necessários para atingir as metas de universalização dos serviços no estado, que giram em torno de R$ 10 bilhões no total. 

O certame de venda da Corsan foi realizado em dezembro, com o valor de R$4,151 bilhões, quase igual ao lance mínimo estabelecido em R$4,1 bilhões. No entanto, o estado permanecerá como acionista controlador da Corsan até a efetiva data de assinatura do contrato, prevista para março. Os embates judiciais e as discussões sobre a privatização da companhia trazem à tona reflexões sobre a qualidade dos serviços a serem prestados pela iniciativa privada e também os impactos financeiros para a população.

Apesar do estímulo feito às privatizações com o novo marco legal do saneamento básico, a alternativa não é consensual e existem, inclusive, exemplos de reestatização dos serviços em outros países. De acordo com o professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Faculdade de Direito (FaDir), Thelmo de Carvalho Teixeira Branco Filho, o debate sobre a privatização ou não da Corsan deve levar em consideração os direitos humanos e a qualidade da universalização dos serviços.

A partir da obra do especialista em saneamento básico e direitos humanos e ex-relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Léo Heller, Branco Filho explica que existem três tipos de privatização: desinvestimento total, quando todos os ativos são transferidos para a empresa privada; affermage, quando os serviços são transferidos por um período determinado, mediante uma taxa; e BOT, quando empresas constroem e operam infraestruturas que depois são transferidas para o poder público. O modelo proposto para a Corsan é o primeiro, com a concessão total dos ativos.

Segundo Branco Filho, que também é pesquisador do Centro de Síntese Cidades Globais da Universidade de São Paulo (USP), é preciso refletir sobre a responsabilidade do Estado em prestar esse tipo de serviços que atendem as necessidades básicas da população. O especialista cita a regionalização descompromissada com parâmetros técnicos, a possível perda de valor da empresa e o aumento nas tarifas repassadas à população, como riscos da privatização total. Ainda segundo ele, “no caso de uma privatização, os pequenos municípios serão atingidos de forma mais significativa”.

Uma alternativa apontada pelo professor é de um modelo participativo e construtivo com parcerias entre a iniciativa privada e o Estado. “Sabemos que grande parte dos municípios têm dificuldade com o saneamento básico, e isso são questões relacionadas a vida humana”, acrescenta. 

Como demonstram os dados, essa é uma questão urgente e demanda soluções do poder público. De acordo com o especialista, um olhar de médio e longo prazo é necessário para pensar em estratégias que realmente possam beneficiar a população e atingir a universalização dos serviços. “Independente da forma que o serviço é prestado, temos que olhar para os direitos humanos”, complementa Branco Filho.

Fonte: Rádio São Luiz

Por Micael dos Santos Olegário

Caminhão da Caixa chega em Santo Antônio das Missões nesta segunda-feira

Foto colorida de caminhão da caixa

Caminhão presta os mesmos serviços que agência tradicional – Foto: Divulgação

O Caminhão da Caixa Econômica Federal estará em Santo Antônio das Missões, de 30 de janeiro a 03 de fevereiro, para atendimento à população da região. A unidade móvel ficará estacionada na Praça Central de Santo Antônio das Missões (Avenida Prefeito José Nunes de Abreu) e o atendimento será realizado em dias úteis das 10h às 16h.

A unidade móvel presta os mesmos serviços de uma agência, como atendimento aos beneficiários dos programas sociais; concessão de crédito; senha de beneficiários do INSS; Abono Salarial (PIS); FGTS; auxílio na utilização de aplicativos CAIXA; desbloqueio de cartão e senha de contas, dentre outros.

A Caixa possui, atualmente, dez caminhões que percorrem o país disponibilizando aos clientes atendimento para os produtos e serviços bancários e para benefícios sociais. O banco também coloca à disposição dos clientes o atendimento por meio de canais remotos e digitais.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Caixa

 

Projeto “Campereando” reúne ícones da música gaúcha e missioneira em nova temporada na Rádio São Luiz

Foto colorida do compositor Julio Fontella no estúdio da Rádio São Luiz

Julio Fontella será primeiro convidado da nova temporada do projeto – Foto: Carlos Ramão/Arquivo Rádio São Luiz

O projeto “Campereando” tem trazido uma série de artistas e compositores para falar ao microfone da Rádio São Luiz. A iniciativa teve início em 8 de julho, idealizada pelo apresentador Luiz Oneide e a produtora Evelise Oliveira, com o objetivo de conversar com compositores, intérpretes da música gaúcha e artistas ligados à música missioneira e regional do estado do Rio Grande do Sul.

As entrevistas vão ao ar todas às quintas-feiras, a partir das 20h pelo Canal do Youtube da Rádio São Luiz e às sextas-feiras pela manhã, na segunda parte do programa “Olho Vivo”. O projeto está dividido em três blocos de 12 a 15 minutos de entrevista e cada bloco fecha com uma música a escolha do entrevistado. 

Desde seu início em julho, já foram 26 entrevistados, entre eles estão nomes de destaque da música tradicionalista como: Mano Lima, Pedro Ortaça,  Luiz Carlos Borges, Baitaca, entre outros. O programa, que despertou o interesse do público, começa na próxima quinta-feira, 02 de fevereiro, a temporada de 2023 às 20h no YouTube e, na sexta-feira pela manhã, a reprise na programação da Rádio São Luiz. Na primeira edição deste ano, o entrevistado será o compositor, payador e radialista, Julio Fontella.

A iniciativa conta também com o apoio  de parceiros comerciais, como a Rede de Óticas Mercadão dos Óculos.

Fonte: Rádio São Luiz

Prefeitura de Roque Gonzáles realiza ações para mitigar efeitos da estiagem no município

Foto colorida de caminhão tanque despejando água em açude de Roque Gonzales

Ações visam atender aos produtores de comunidades mais atingidas pela seca – Foto: Divulgação Prefeitura de Roque Gonzáles

A prefeitura de Roque González, através da Secretaria Municipal de Obras, retomou, nesta semana, a entrega de água para a dessedentação de animais no município. As ações foram feitas com equipamentos adquiridos no ano de 2022, com o objetivo de reduzir os impactos da estiagem para os produtores.

De acordo com a prefeitura, há mais de 40 dias prosseguem trabalhos de limpeza de bebedouros e manutenção da rede de água, principalmente em comunidades mais atingidas pela seca. Demandas que fazem parte das ações tomadas pelo Poder Executivo após a decretação de situação de emergência no município por conta da estiagem, por meio do Decreto N°3205 de 12 de janeiro de 2023.

Foto colorida de caminhão tanque despejando água em açude de Roque Gonzales

Ações se intensificaram após decreto de situação de emergência – Foto: Divulgação Prefeitura de Roque Gonzales

Fonte: Prefeitura de Roque Gonzáles

Caminhonete capota causa incêndio e deixa quatro feridos em acidente na ERS 332

foto colorida de incêndio de veículo na ERS 332

Veículo pegou fogo após capotar – Foto: Divulgação

Um acidente envolvendo uma caminhonete deixou quatro pessoas feridas na tarde deste domingo, 22, na ERS 332, próximo à comunidade de Teutônia, em Tapera. De acordo com informações das pessoas que estavam no local, o músico Valdomiro Melo era o motorista do carro. O veículo saiu da pista, capotou e incendiou após o motorista perder o controle. 

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De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual de Tapera, os quatro ocupantes ficaram feridos e foram encaminhados para o Hospital de Espumoso, após serem socorridos pelo SAMU e por pessoas que passavam pelo local no momento do acidente. Além de Valdomiro, estavam presentes sua esposa e os colegas Ceceu Dorneles e Adriano Mendes.

A caminhonete, modelo Tucson, tinha placas de Cachoeirinha. O incêndio no local foi controlado pelo Corpo de Bombeiros misto de Tapera.

Veículo tinha placas de Cachoeirinha – Foto: Divulgação

Fonte: Rádio Regional Mix

Barco afunda no Rio Uruguai com oito passageiros: três pessoas morrem e duas seguem desaparecidas

foto colorida de Rio Uruguai em Alecrim com viaturas dos bombeiros

Buscam continuam neste domingo em busca de mais sobreviventes – Foto: Divulgação/Bombeiros

Três pessoas morreram após uma pequena embarcação afundar no Rio Uruguai na tarde deste sábado, 21, no interior de Alecrim. Outras três pessoas, incluindo duas crianças foram resgatadas e encaminhadas para atendimento médico. O Corpo de Bombeiros de Santa Rosa segue as buscas no local em busca de dois homens ainda desaparecidos.

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De acordo com informações dos bombeiros, a embarcação retornava de uma ilha, quando, em virtude do temporal do fim da tarde de ontem, o barco virou. Não há informações se os oito ocupantes estavam usando coletes salva-vidas nem qual o parentesco entre eles.

Entre as vítimas está um menino, Davi Pimental, de 7 anos, que foi resgatado com vida, mas não resistiu. As outras duas vítimas são mulheres, Noeli Ceconi da da Silva, 39 anos, Sinara Bogler Kuhn, 47.

Entre os sobreviventes, há duas meninas de cinco e oito anos e uma mulher de 30 anos. Como ingeriram muita água, as três precisaram ser levadas para atendimento, mas foram liberadas na manhã deste domingo.

Siderlei Pimentel, 40, e Jorginho Valdemir Machado, 45, seguem desaparecidos. As buscas foram retomadas às 5h30 de hoje, com o Corpo de Bombeiros de Santa Rosa e Santo Ângelo. Mergulhadores e uma aeronave da Brigada Militar devem auxiliar nos trabalhos durante o dia.

Fonte: GZH

Kerbfest Missões celebra colheita e tradição alemã em São Paulo das Missões

foto colorida de divulgação da Kerbfest Missões

Festa cultua as tradições alemãs no Brasil – Foto: Divulgação/Kerbfest Missões

Agradecer pela colheita e cultuar as origens da tradição germânica, estes são alguns dos motivos para a realização da 30° Kerbfest Missões. A celebração das colheitas é algo tradicional da cultura alemã e remonta às origens da mitologia do povo germânico e sua ligação com a natureza. Um dos eventos mais populares ocorre na cidade catarinense de Piratuba, desde 1948. Em São Paulo das Missões, a primeira Kerbfest foi realizada em 1993 e completa 30 anos em 2023. 

O surgimento dessas festas está associado à chegada dos imigrantes da Alemanha ao país por volta do ano 1824. No entanto, diferente de outras festas similares da comunidade germânica, a Kerbfest nasceu no Brasil e tanto pode ser vista como a “festa da colheita”, como a “festa da inauguração da igreja”, por conta da união das comunidades em torno da religião. 

A Kerbfest também serve para valorizar e estreitar os laços entre as comunidades germânicas. Durante os eventos, a cultura alemã é evidenciada e a economia local ganha impulso, em especial com o turismo, as comidas e os bailes. Neste ano, a 30° Kerbfest Missões acontece entre os dias 27 a 29 de janeiro.

Entre as atrações da festa está previsto um desfile de carros alegóricos, além da tradicional carreata de abertura e Festa da Alegria no Clube 7 de Setembro, em São Paulo das Missões. A programação também conta com show musicais, apresentações culturais e a presença constante da culinária alemã. 

Confira a programação completa:

21/01: Missa festiva em homenagem ao padroeiro “São Paulo Apóstolo”, na Igreja Matriz.

27/01: 15h – Baile da 3° Idade no Pavilhão 3 do Parque Municipal de Eventos com o Grupo Alegria de Viver; 18h – Abertura Oficial da 30° Kerbfest Missões, Choppwagen e desfile de carros alegóricos; 23h – Momento Cultural com apresentações de danças alemãs; 23h30 – Baile com a Banda Passarela.

28/01: 9h – Jogo do refrigerante e refrigerante em metro; 10h – Futebol de bombacha; 11h – Jogo do barril entre as autoridades, convidados e imprensa regional; 12h30 – Almoço típico da culinária alemã; 14h – Jogo do barril e jogos germânicos; 19h30 às 23h – Café colonial alemão; 23h – Momento Cultural com apresentações de danças da etnia alemã; 23h30 – Baile do Kerb com a Banda K’necus e leilão da Garrafa do Kerb.

29/01:12h30 – Almoço típico da culinária alemã; 14h30 – Momento Cultural com apresentações de danças da etnia alemã; 15h – Sarau do Kerb com Grupo Atração; 16h30 – Encerramento Oficial da 30° Kerbfest Missões; 17h – Sarau de encerramento com a Banda K’necus.

Fonte: Fenae.org e Kerbfest Missões

Por Micael dos Santos Olegário

As raízes da estiagem nas Missões e as alternativas para a produção agrícola

foto colorida de campo de milho com céu azul e nuvens

Especialistas em agronomia falam sobre os fatores relacionados a estiagem na região – Foto: Pexels

A estiagem é uma das fontes de maior preocupação e aflição para os produtores e para as economias da região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. Angústia e inquietação que vêm se repetindo com frequência nos últimos anos. Durante o final de 2021 e início de 2022, 426 municípios decretaram situação de emergência por conta da seca no estado. Atualmente são 76, mas o número está crescendo e desperta um alerta na região que é fortemente ligada à agricultura e ao plantio da soja e do milho.

Uma safra ruim e uma colheita fraca representam uma queda na economia local e impactos na vida e na mesa da maioria da população. Em São Luiz Gonzaga, o prefeito Sidney Brondani decretou situação de emergência nesta sexta-feira, 13, citando um prejuízo de R$232 milhões no município por conta da estiagem.

No último ano, o fenômeno “La Niña” foi um dos responsáveis pelo grau de severidade da seca no estado. No entanto, o problema enfrentado pelo Rio Grande do Sul, e pelo Brasil de um modo geral, é maior, mais complexo e tem diversos fatores relacionados.

Especialista em agroclimatologia, o professor de Agronomia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Cleber Maus Alberto, aponta que em anos de La Niña naturalmente a produtividade agrícola tende a diminuir. Ele comenta a necessidade de observar as características de cada região para a formulação de políticas públicas de longo prazo na área. “O problema é que todo mundo só pensa na estiagem quando ela já está implantada”, lamenta Cleber Alberto.

Doutor em fitotecnia e professor de Agronomia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Rafael Narciso Meirelles, explica um pouco sobre o contexto histórico e estrutural da estiagem que afeta a região das Missões e a população gaúcha. Segundo ele, o estado já possui características de déficit hídrico nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. “Agora temos um agravamento da situação por conta de diversos fatores, como o aquecimento global”, acrescenta o especialista. 

O também docente da Unipampa e doutor em Extensão Rural, Vínicius Piccin Dalbianco, comenta que a previsão é de um enfraquecimento do La Niña por volta da metade do ano. Ainda segundo o professor, o fenômeno tem afetado mais a metade sul do país e do estado, sendo a produção de leite uma das que mais sofrem com a estiagem.

De acordo com Dalbianco, os efeitos da estiagem incidem com maior força sobre “os médios e pequenos produtores que dependem quase 90% de financiamento para poder fazer sua safra seguinte”. Como um exemplo, o professor estima a redução de 18% dos produtores de leite entre 2021 e 2022. Isso ocorre, pois “o produtor fica praticamente descapitalizado e não consegue melhorar o equipamento, uma instalação ou fazer investimentos”, acrescenta Dalbianco.

Segundo os três especialistas da área de agronomia, existem diversos elementos que podem agravar o problema da seca. Alguns deles também citam algumas estratégias que, se não forem realizadas de modo correto e bem planejado, podem piorar o quadro da estiagem e prejudicar ainda mais o solo da região e consequentemente a produção agrícola.

As raízes do problema e a questão da irrigação

Foto colorida de campo sendo irrigado por trator

Construção de barragens dividem opinião dos especialistas – Foto: Pixabay

De acordo com o professor Rafael Meirelles, o problema da seca no Rio Grande do Sul começa no norte do país, pois “o desmatamento na Amazônia afeta a zona intertropical que abastece os rios e deveria descarregar água no Sul”. Esse desequilíbrio provoca uma série de efeitos em diversas regiões do Brasil, inclusive, no Rio Grande do Sul. 

Na mesma direção, o professor Vinícius Dalbianco cita a necessidade de políticas voltadas para a recuperação de áreas verdes e biomas brasileiros. “Resolver o problema da seca no Brasil e no Rio Grande do Sul é pensar na conservação ambiental e ter programas públicos que incentivem e financiem os agricultores para voltar a ter áreas verdes”, complementa o especialista.

A falta de cobertura vegetal do solo é outro elemento citado por Dalbianco ao comentar sobre a estiagem. O docente critica práticas como o uso de canaletas em lavouras. Segundo ele, nestes solos expostos, compactados e sem cobertura vegetal, a água escorre e leva nutrientes e fertilizantes presentes principalmente nos dez primeiros centímetros do solo. “Isso leva ao assoreamento de rios e causa inclusive a queda na produtividade, porque os fertilizantes vão embora”, detalha Dalbianco.

Por outro lado, para Meirelles existe um elemento interno que potencializa a seca no estado e região – a prática das barragens. “Você tem uma estiagem e para combater ela se fazem barragens para a irrigação, quando se faz isso, interrompe-se aquela água que desceria na bacia hidrográfica, através de um córrego. Então o córrego seca e não vai abastecer os rios”, detalha o professor da Uergs. 

Essa visão, no entanto, é contrastada por Cleber Alberto, que vê nos estudos de impacto ambiental e uso eficiente da água, com armazenamento do excedente dos meses de inverno, uma possível solução para o problema. Segundo ele, a irrigação e as barragens são um seguro para os produtores. “Temos que armazenar água quando ela está disponível, para usar quando ela não estiver”, afirma.

O cuidado ambiental e a análise do custo-benefício dos reservatórios para irrigação são destacados por Alberto. Outro ponto de atenção levantado por ele, é sobre a preservação e recuperação das matas ciliares em rios e córregos, que protegem o ambiente, retém nutrientes e evitam a poluição dos cursos d’água. Segundo o especialista da Unipampa, essas medidas podem evitar a perda de água e a redução do seu volume.

Sobre esse mesmo ponto, Dalbianco pondera que os reservatórios e a irrigação são essenciais para abastecer a população em épocas de estiagem, no entanto, práticas de perfuração de poços artesianos para abastecer pivôs de irrigação em lavouras podem agravar o problema da seca. Segundo estudos citados por ele, essa prática “tem reduzido banhados e áreas úmidas e isso é um indicador da altura do lençol freático”. 

O professor também Dalbianco esclarece que a saída para a seca não pode agravar ela, o que afeta principalmente famílias de pequenos e médios produtores. “Ao tentar resolver o problema de secas, temos contribuído para extrair água doce direto do lençol freático, o que aumenta o problema para outras famílias que dependem de água para beber”, explica o especialista.

As alternativas possíveis para a agricultura

foto colorida de campo de milho

Políticas de longo prazo são essenciais para o futuro da agricultura – Foto: Pexels

O planejamento das safras a nível de governo, a cooperação entre entes públicos, os investimentos em políticas de médio e longo prazo, são pontos destacados pelos três professores com relação ao combate da estiagem. Adaptar os calendários produtivos e aumentar a conservação e cuidado com o solo são outros elementos importantes.

Vinícius Dalbianco destaca o uso de camadas de proteção vegetal como uma forma de aumentar a retenção de água e a fertilidade do solo. “O solo exposto pode chegar a uma temperatura de até 60° no forte do verão, o mesmo solo em uma mesma região, com uma proteção vegetal, não chega a 30°”, explica o professor.

Rafael Meirelles afirma que o enfrentamento desta e de futuras estiagens na região passa por alterações no perfil da produção agrícola, com uma maior diversificação das culturas. “Temos que fazer um retorno para o melhoramento de sementes clássico, para cultivar variedades resistentes à seca”, acrescenta ele.

Por sua vez, Cleber Alberto cita o aumento dos estudos de impacto ambiental e o oferecimento de linhas de créditos para sistemas de irrigação como alternativas para a agricultura. O professor também ressalta a necessidade de “políticas públicas no sentido técnico, de obtenção de dados para aumentar a eficiência da irrigação”. A parceria entre pesquisadores e produtores é um dos caminhos para atingir esses objetivos.

O aumento de reservatórios e cisternas também é apontado como uma estratégia possível.  Dalbianco considera que o investimento em cisternas deve ser uma política pública tanto para o meio rural, como para o urbano. “Na cidade temos dois efeitos: um é para a pessoa lavar o carro, molhar o jardim e o outro é reduzir os transtornos quando se tem grandes índices de precipitações”, detalha o especialista. Segundo ele, essa prática ajuda a reservar melhor a água por mais tempo e com mais facilidade para o tratamento.

Outra importante política apontada pelo professor Dalbianco é a “intervenção nos processos técnicos produtivos para considerar os calendários de seca na forma e nos calendários de plantio”. O especialista afirma ser urgente transformar as práticas agrícolas em ações conservacionistas para melhor cuidar do solo. 

Todas essas medidas em conjunto podem colaborar não só colaborar para mitigar a estiagem, mas para melhor preparar agricultores, a economia e população para a recorrência do problema no futuro. “Não se combate a seca, você convive com ela”, destaca Vinícius Dalbianco.

Fonte: Rádio São Luiz

Por Micael dos Santos Olegário

Jarcedi Jacques Terra, coordenador regional do PT, faleceu neste domingo

Foto colorida de Jarcedi Terra

Jarcedi foi um importante nome para a política regional – Foto: Arquivo Rádio São Luiz

O ex-vereador e coordenador regional do Partido dos Trabalhadores (PT), Manoel Jarcedi Jacques Terra, 71 anos, faleceu neste domingo, 15 de janeiro, em São Luiz Gonzaga. Jarcedi Terra, como era conhecido, foi um importante nome político para a cidade e região. Em 10 de fevereiro de 1980, ele esteve presente no ato de fundação do PT em São Paulo. Foi eleito vereador no ano de 1988 pelo PT, em São Luiz Gonzaga e ocupou uma série de cargos no partido.

Jarcedi era casado com Celene Terra, nascido em 1951, completaria 72 anos no dia 22 de fevereiro. O velório está sendo realizado na Câmara de Vereadores de São Luiz Gonzaga e o sepultamento está previsto para amanhã, dia 16.

Servidor público aposentado, Jarcedi também foi secretário municipal durante o mandato do prefeito Valdecir Oliveira, em Santa Maria e tinha sido reeleito coordenador regional do PT nas Missões em agosto de 2021.

Fonte: Rádio São Luiz

Acidente próximo ao trevo de Bossoroca deixa quatro pessoas feridas

Foto colorida de acidente no trevo de Bossoroca

Corsa com três viajantes capotou depois de sair da pista – Foto: Divulgação/Rádio Cidade

Um acidente envolvendo dois veículos na RS 168, próximo ao trevo de Bossoroca, deixou quatro pessoas feridas na tarde deste domingo, 8 de janeiro. O acidente aconteceu por volta das 15h30, e teria sido causado por uma freada, quando ambos os veículos seguiam na mesma direção.

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Um dos carros, modelo Ford Edge, bateu na traseira de um Corsa após este frear bruscamente. Com o impacto, os dois veículos saíram da pista e o Corsa capotou.

O condutor e os dois passageiros do Corsa ficaram feridos e a motorista do Ford Edge, de 28 anos, sofreu apenas escoriações. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital São Luiz Gonzaga.

Foto colorida de acidente no trevo de Bossoroca

Acidente aconteceu próximo ao trevo de Bossoroca – Foto: Rádio Cidade

Fonte: Rádio Cidade