Neurologista José Renato alerta sobre os riscos do uso excessivo de celulares por crianças e adolescentes
Em entrevista à Rádio São Luiz, o médico neurologista José Renato Guimarães Grisolia falou sobre os impactos do uso excessivo de celulares, especialmente no contexto de crianças e adolescentes, ressaltando a nova regra que proíbe o uso de celulares nas escolas. Segundo o especialista, a retirada dos celulares das salas de aula tem sido uma medida necessária, pois, apesar dos benefícios da tecnologia, o uso descontrolado pode acarretar problemas sérios para o desenvolvimento das novas gerações.
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José Renato explicou que, hoje em dia, o celular se tornou uma ferramenta muito importante na vida cotidiana, com as pessoas realizando atividades que antes eram feitas de maneira completamente diferente. “Antes, para fazer compras, por exemplo, era necessário ir ao mercado. Com a pandemia, as compras online se popularizaram e hoje muitas pessoas preferem comprar de casa, pois ficou mais fácil”, comentou o médico. Para ele, a tecnologia tem facilitado muitas tarefas, como pesquisas acadêmicas, que antes exigiam consultas a bibliotecas físicas e materiais especializados, mas com a internet e os celulares, a informação está a um clique de distância.
Entretanto, o neurologista alerta para os perigos que acompanham o uso constante e descontrolado da tecnologia digital. “O celular entrou na nossa vida para não sair mais, mas isso trouxe consequências. Criamos dependência de tecnologia digital, algo semelhante ao vício em jogos, drogas e álcool, pois há uma descarga de dopamina que gera uma sensação de prazer”, afirmou. Ele ressaltou que, ao contrário do que ocorria anteriormente, as relações pessoais se tornaram mais superficiais, uma vez que a interação cara a cara foi substituída por conversas virtuais. “Antes, as pessoas tinham que se encontrar pessoalmente para interagir. Hoje, muitos se conhecem pela internet antes mesmo de se encontrarem fisicamente, o que tem afetado a qualidade das relações”, explicou.
O médico também observou que a tecnologia, quando usada de forma excessiva, pode prejudicar até mesmo crianças com transtornos do espectro autista. “Sabemos que crianças autistas, que já enfrentam dificuldades de interação social, acabam se envolvendo com as telas de forma ainda mais intensa. Precisamos limitar o uso, caso contrário, isso pode agravar a condição”, afirmou.
Em relação às escolas, José Renato destacou que estudos comprovam que a proibição do celular nas salas de aula tem sido uma medida acertada. “Na sala de aula, muitos alunos se distraem com as redes sociais, e a atenção voltada para o conteúdo ministrado pela professora acaba sendo comprometida”, afirmou. O especialista também mencionou os impactos negativos dessa distração, como a degradação da língua portuguesa, com o uso excessivo de abreviações e da “internetês”, o que prejudica, por exemplo, a capacidade dos estudantes de desenvolverem redações, especialmente no Enem.
José Renato enfatizou que, embora a tecnologia seja uma excelente ferramenta de aprendizado, seu uso deve ser moderado. “A pandemia mostrou todo o potencial das ferramentas digitais, mas como tudo na vida, o excesso nunca é bom. Precisamos encontrar um equilíbrio para que a tecnologia não prejudique o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes”, concluiu o neurologista.
Fonte: Rádio São Luiz




