Audiência pública debaterá securitização para agricultores afetados por perdas consecutivas de safra

Foto: Arquivo Pessoal

O setor agrícola gaúcho enfrenta desafios significativos em razão das frustrações consecutivas de safra provocadas por eventos climáticos adversos, especialmente secas e enchentes, que têm causado grandes prejuízos aos produtores rurais. Neste contexto, a securitização tem sido apresentada como uma solução viável para aliviar a situação financeira dos agricultores afetados. Luís Fernando Cavalheiro Pires, produtor rural e assessor da presidência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), esclareceu que a securitização consiste em uma operação financeira destinada ao parcelamento especial das dívidas dos produtores, com juros controlados e subsidiados, permitindo um prazo ampliado para cumprimento das obrigações financeiras.

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Luís Fernando explicou que a securitização não se trata de um perdão ou anistia das dívidas, mas sim uma extensão do prazo para pagamento, levando em conta as dificuldades enfrentadas pelos agricultores que planejam seus compromissos com base na produção agrícola projetada. Ele destacou que, nos últimos quatro anos, a região missioneira enfrentou três frustrações graves de safra, resultando em perdas médias que atingiram aproximadamente 70%, chegando, em alguns casos, a prejuízos totais.

O representante da Farsul reforçou que a proposta conta com apoio amplo de entidades ligadas ao agronegócio, incluindo cooperativas, cerealistas e associações rurais, todas trabalhando unidas em busca de uma solução efetiva para o problema. Cavalheiro mencionou ainda que há duas propostas legislativas em tramitação, uma do senador Luis Carlos Heinze, no Senado Federal, e outra do deputado federal Pedro Westphalen, na Câmara dos Deputados. Ambas as propostas são semelhantes e visam a adoção imediata dessa medida emergencial para o setor.

Uma audiência pública está prevista para ocorrer no Auditório Central da 25ª edição da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS, visando acelerar a tramitação dessas propostas e sensibilizar o governo federal para a necessidade urgente da securitização. Cavalheiro expressou preocupação com a ausência de representantes do Executivo federal nas negociações até o momento, destacando que o apoio governamental é essencial devido ao impacto econômico da agricultura no estado, responsável por cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho.

Adicionalmente, Luís Fernando ressaltou a importância de que as medidas propostas contemplem não apenas os produtores com endividamento formal junto a instituições financeiras, mas também aqueles que mantêm parcerias diretamente com cooperativas, cerealistas e revendas de insumos. Dessa forma, segundo ele, é fundamental que a securitização seja ampla e acessível a produtores rurais de todos os portes, desde pequenos até grandes produtores.

O encontro em Não-Me-Toque tem início às 14 horas e disponibilizará estruturas adicionais para acomodar um número maior de participantes interessados no debate e nos encaminhamentos sobre o tema.

Fonte: Rádio São Luiz