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Rodoviária de São Luiz Gonzaga aposta na segurança para enfrentar queda na demanda do setor

Foto: Mathias Bueno Ribas/Reprodução

A rodoviária de São Luiz Gonzaga tem uma trajetória marcada por mudanças e desafios ao longo dos anos. Em entrevista à Rádio São Luiz, o diretor da rodoviária, Gilberto Luís Walker, detalhou a história da concessão, as transformações no setor de transporte rodoviário e as dificuldades enfrentadas atualmente.

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A administração da rodoviária está sob responsabilidade da família Walker desde 1988, quando Arcildo Aloysio Walker, pai de Gilberto, adquiriu a concessão. Arcildo já trabalhava no setor de transportes em Santa Rosa, na empresa Unigal, e viu em São Luiz Gonzaga uma oportunidade de expandir os negócios.

Inicialmente, a gestão da rodoviária fazia parte de um rodízio entre os sócios da empresa. No entanto, ao final do período combinado, nenhum dos outros gestores quis assumir a administração em São Luiz Gonzaga. Foi então que Arcildo decidiu deixar a sociedade e permanecer à frente da rodoviária da cidade. A nova estrutura foi inaugurada em 29 de setembro de 1989, na esquina entre as Ruas Treze de Maio e Bento Gonçalves, onde opera até hoje.

Gilberto Walker assumiu a direção da rodoviária em 2005, dando continuidade ao trabalho iniciado por seu pai. Segundo ele, ao longo das últimas décadas, o setor passou por transformações significativas, exigindo constante adaptação por parte das empresas concessionárias.

Nos últimos anos, a rodoviária de São Luiz Gonzaga viu uma redução expressiva no número de passageiros. Antes da pandemia, a média diária de embarques era de 300 passageiros, totalizando cerca de 9 mil pessoas por mês. Hoje, esse número caiu para cerca de 100 embarques diários, o que representa uma redução de aproximadamente 66% na demanda.

Segundo Gilberto, diversos fatores contribuíram para essa queda. A pandemia de Covid-19 teve um impacto direto, diminuindo o número de viagens e afetando a rotina dos passageiros. Além disso, a enchente que atingiu Porto Alegre em 2023 prejudicou a principal linha da rodoviária, dificultando ainda mais a operação.

Outro fator apontado por ele é o aumento do uso de caronas compartilhadas e aplicativos como o BlaBlaCar, que oferecem opções mais flexíveis e, muitas vezes, mais baratas para os passageiros. “O crescimento desse tipo de transporte tem sido um dos nossos maiores desafios”, afirmou.

A crise no setor também levou ao fechamento de empresas tradicionais de transporte intermunicipal, impactando ainda mais a rodoviária. Gilberto relembrou a importância da empresa Santa Luzia, que operava diversas linhas na região, incluindo Pirapó, São Nicolau, Roque Gonzales, Caibaté e Dezesseis de Novembro. Com o encerramento das atividades da empresa, a cidade perdeu essas conexões por meio do ônibus.

Outro exemplo citado por ele foi o recente fim da linha São Luiz Gonzaga – Santa Maria, operada pela Empresa São Pedro, que enfrenta um processo de falência. “A nossa esperança é que alguma outra empresa assuma essa linha, como a Planalto, que tem estrutura e credibilidade no setor”, comentou.

Apesar da redução da demanda, Gilberto destacou que viajar de ônibus continua sendo uma das opções mais seguras para deslocamentos intermunicipais. As empresas de transporte devem seguir rigorosas normas de fiscalização, com veículos verificados pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) e motoristas treinados para garantir a segurança dos passageiros.

Entre as operadoras que atuam na cidade, ele ressaltou a Viação Ouro e Prata, que mantém uma parceria sólida com a rodoviária de São Luiz Gonzaga. “A Ouro e Prata continua investindo na qualidade dos serviços e na modernização da frota, sendo uma das empresas mais respeitadas do setor”, afirmou.

Atualmente, a concessão da rodoviária de São Luiz Gonzaga está garantida até 2034. Após esse período, uma nova licitação será aberta, podendo manter a administração com os atuais responsáveis ou repassá-la a outro interessado.

Diante dos desafios, Gilberto Walker reforçou que a equipe da rodoviária segue empenhada em oferecer um serviço de qualidade à população, buscando alternativas para superar as dificuldades do setor e trabalhando para incentivar o uso dessa modalidade de transporte. “Sabemos que o transporte rodoviário mudou muito, mas seguimos acreditando na importância desse serviço para São Luiz Gonzaga e toda a região”, concluiu.

Fonte: Rádio São Luiz

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