Escola Estadual Seggiaro, de São Nicolau, enfrenta crise estrutural há seis meses, e a comunidade cobra agilidade nas reformas

Alunos estudam em salas improvisadas enquanto obra não sai. Foto: Matheus Ortiz/Site da Prefeitura de São Nicolau
Há seis meses, a Escola Estadual de Educação Básica Maria Seggiaro Hoffmann, a maior do município de São Nicolau, sofre com as consequências de um temporal que destruiu o telhado do prédio principal em setembro de 2024. Desde então, alunos, professores e pais enfrentam condições precárias de ensino, enquanto aguardam a reforma prometida pelo governo do estado. A reportagem reuniu depoimentos da diretora, pais, alunos e autoridades para retratar a gravidade da situação e os esforços para resolvê-la.
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O temporal de setembro de 2024 arrancou o telhado do prédio principal da escola, que abriga 12 salas de aula. A diretora Lizete Barcelos descreve o cenário caótico: “A água da chuva entra diretamente no prédio, infiltrando na laje e apodrecendo o piso. As salas estão com mofo, o parquet está destruído, e a rede elétrica foi comprometida”. Sem energia no local, as aulas foram realocadas para espaços improvisados, como a biblioteca, a sala de limpeza e o almoxarifado. “Estamos há seis meses nesse improviso”, lamenta a diretora.
Com mais de 300 alunos, do ensino fundamental ao médio integral, a escola precisou adaptar turmas grandes em espaços reduzidos. “Os alunos estão amontoados, e em dias de chuva, a situação fica insustentável”, explica Lizete. A demora na reforma agravou os danos: o que seria apenas a reconstrução do telhado agora inclui reparos na estrutura, rede elétrica e pintura.
O que diz a comunidade escolar
Marina Amaral Fagundes, mãe de uma aluna, relata o medo das crianças: “Elas não se concentram quando chove, querem ir embora. O telhado balança com o vento, e há risco até para quem passa na rua”. A comunidade tentou ajudar, propondo ações como rifas e bingos, mas a burocracia estadual impede iniciativas independentes. “A direção está fazendo o possível, mas o governo não nos ouve”, desabafa.
Lara Schuquel Dauinheimer, aluna do segundo ano do ensino médio, compartilha sua decepção: “É triste ver a escola nesse estado. A educação é essencial para nosso futuro, mas como aprender em salas inundadas?”. A turma organizou um movimento nas redes sociais para pressionar as autoridades, com vídeos de depoimentos no Instagram (@segundoano).
Como se manifestaram as autoridades
Vitor Hugo Pereira Nascimento, coordenador adjunto da 32ª CRE, afirma que a regional está pressionando a Secretaria de Obras Públicas (SOP): “A empresa já foi contratada e fez a vistoria. Agora, aguardamos a ordem de início”. Ele reconhece a gravidade da situação, mas ressalta que a burocracia é um entrave.
Em nota, a SOP informou que a reforma está prevista para começar em maio, com duração de oito meses. O projeto inclui a recuperação do telhado e da rede elétrica, utilizando um modelo de “contratação simplificada” para agilizar o processo. A secretaria destacou que, desde 2023, já investiu R$ 112,5 milhões em 381 obras escolares.
Enquanto o prazo de maio não chega, a comunidade vive em alerta. “Se tivessem agido logo, só precisariam consertar o telhado. Agora, a obra é muito maior”, diz Lizete. A diretora reforça que toda a papelada foi entregue, mas falta ação do estado. “Estamos cansados de esperar. Nossos alunos merecem dignidade”, conclui.
A reportagem também questionou a SOP sobre os motivos da demora, alternativas emergenciais e estratégias para minimizar os impactos no aprendizado dos alunos. No entanto, essas questões não foram abordadas na nota enviada pela Secretaria. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.
Fonte: Rádio São Luiz



