Morre Adalberto Machado, o “Rei da Vaneira”, referência na gaita e na poesia regional

Faleceu nesta sexta-feira, 13 de junho 2025, aos 80 anos, Adalberto Machado, figura reconhecida na música regional gaúcha e consagrado entre os músicos como o “Rei da Vaneira”. Natural de São Luiz Gonzaga/RS, Adalberto destacou-se como instrumentista e compositor, deixando sua marca na tradição musical missioneira por meio da gaita e de suas composições autorais, muitas delas tocadas por intérpretes da música gaúcha.
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A alcunha de “Rei da Vaneira” surgiu a partir da convivência artística com o poeta, Julio Fontela, com quem dividiu palcos, rodas de prosa e improvisos. Conhecido pelo estilo particular ao tocar gaita, mesclando vaneira, chote e rancheira. Adalberto construiu uma trajetória respeitada, marcada pela autenticidade musical e pelo convívio com nomes de referência do cancioneiro gaúcho, como Jaime Caetano Braun, Pedro Ortaça, Luiz Carlos Borges, Pedro Bica e os Irmãos Teixeira. Ao longo dessa caminhada, também compôs ao lado de autores como Amauri Beltrāo de Castro e colaborou com músicos como Cenair Maicá e Gilberto Monteiro.
Ao longo da vida, participou de encontros culturais, festivais e programas de rádio que difundiram a arte regionalista, sempre privilegiando a criação própria e mantendo um olhar crítico sobre os rumos da música regional. Suas poesias e letras refletiam a vivência do campo, os valores da cultura missioneira e os laços familiares, como exemplificado em “Filho de Guerreiro”, poema dedicado ao filho Rodrigo.
Tocava tanto gaita de botão quanto piano, e preferia executar composições próprias — muitas vezes criadas em momentos de convivência com outros músicos e trovadores. Seus versos não eram escritos com antecedência; surgiam de forma oral, no improviso, como parte viva da tradição popular. Ainda assim, algumas de suas obras foram interpretadas por nomes como Jorge Guedes, Xirú Missioneiro e Rodrigo Machado, além de outros intérpretes regionais. Suas letras, muitas delas jamais formalizadas, circularam oralmente durante décadas e se perderam com o tempo.
A transmissão de seu legado se deu principalmente por meio de encontros informais e da convivência direta com artistas, como seu filho Rodrigo, cuja trajetória acompanhou de perto. Seu modo de ensinar e tocar estava vinculado à oralidade e à observação crítica — característica de quem se formou fora dos padrões acadêmicos, mas dentro da vivência comunitária.
As homenagens póstumas ocorrem na Funerária Juchen, em São Luiz Gonzaga. A cerimônia de encomendação será realizada às 14 horas do sábado, 14 de junho. O falecimento de Adalberto Machado representa a perda de uma referência da autenticidade missioneira, cuja obra seguirá presente na memória dos músicos, ouvintes e admiradores da cultura regional do Rio Grande do Sul.
Fonte: Rádio São Luiz



