Iphae aponta origem missioneira na formação territorial de Bagé

Foto: Arquivo Secult
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) confirmou, por meio do Parecer nº 005/2025, que o município de Bagé possui fundamentos históricos e patrimoniais que o conectam diretamente ao ciclo das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul. O reconhecimento foi emitido após solicitação da Prefeitura de Bagé, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, e passou a embasar o pedido de inclusão do município nas comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas, programadas para 2026.
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De acordo com a análise técnica, a ocupação do território bageense ao longo do processo de colonização europeia está vinculada ao desenvolvimento missioneiro. O parecer destaca a importância histórica do antigo posto de Santa Tecla, espaço originalmente constituído como estância missioneira integrada à redução de São Miguel, fundada em 1632. Posteriormente, em 1774, Santa Tecla passou a funcionar como forte militar espanhol, estrutura que foi destruída dois anos depois em confronto com tropas portuguesas comandadas por Rafael Pinto Bandeira.
O documento também contextualiza que a fundação de Bagé, em 1811, realizada pelo governador D. Diogo de Souza, ocorreu a partir do Acampamento Militar instalado nas proximidades da antiga Guarda de São Sebastião, localidade que herdou características e estruturas da ocupação missioneira anterior. Esses elementos, segundo o Iphae, evidenciam a continuidade histórica entre a presença jesuítica na região e a formação posterior do município.
A análise ressalta ainda que o conceito de “região”, nas políticas culturais e geográficas, deve ser interpretado de forma dinâmica, considerando critérios técnicos que permitam incorporar áreas cuja trajetória histórica contribuiu para a conformação do território missioneiro. Com esse entendimento, o parecer conclui que é plausível incluir Bagé nas celebrações estaduais alusivas aos 400 anos das Missões Jesuíticas.
O reconhecimento do Iphae reforça o pleito apresentado pela administração municipal e abre possibilidade para novos investimentos voltados ao desenvolvimento do turismo cultural, à valorização da memória histórica e à preservação do patrimônio associado ao período missioneiro. A Prefeitura aguarda o posicionamento do Governo do Estado sobre a inclusão oficial do município na programação comemorativa.
Fonte: Rádio São Luiz




