Carta da 48ª Romaria da Terra reafirma compromissos com povos originários, terra e democracia no Rio Grande do Sul

A Carta da 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul foi apresentada durante a realização do evento, que reuniu romeiras e romeiros na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, no Santuário do Caaró, em Caibaté (RS), sob o lema “Eu vi um novo Céu e uma nova Terra” (Ap 21,1). O encontro integrou as atividades alusivas aos 400 anos da Evangelização Missioneira e aos 270 anos da morte de Sepé Tiaraju, reunindo referências históricas, religiosas e sociais associadas à trajetória das Missões Jesuítico-guarani e à caminhada do povo guarani em busca da chamada Terra Sem Males.
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O documento apresenta uma leitura histórica e pastoral do contexto atual, relacionando a espiritualidade guaranítica e missioneira à defesa dos povos originários, da terra e da democracia. A carta destaca que a Romaria é entendida como gesto político e eclesial, situando a fé cristã vinculada à pauta de direitos sociais, à justiça socioambiental e à memória histórica. O texto afirma que a peregrinação também se configura como espaço de denúncia de desigualdades estruturais, abordando temas como concentração fundiária, racismo, machismo, homofobia e formas de opressão social, além de tratar da preservação ambiental e da ecologia integral como eixo pastoral.
Entre os compromissos assumidos, a carta menciona a defesa da demarcação e proteção de territórios indígenas e quilombolas, o fortalecimento da agricultura camponesa e familiar, a promoção da agroecologia e do reflorestamento com espécies nativas, bem como a articulação entre comunidades do campo e da cidade. O documento também aborda a formação política baseada na Doutrina Social da Igreja e em princípios democráticos, além de apontar a necessidade de políticas públicas voltadas ao reconhecimento histórico e à proteção de lideranças comunitárias.

O texto recorda a memória de Frei Sérgio Antônio Görgen, citado como referência na caminhada da Romaria, e reafirma posicionamentos relacionados à defesa dos direitos humanos e ao contexto político nacional, com menção ao período eleitoral e à orientação de que a religião não seja utilizada para fins políticos. Ao final, a carta indica que os encaminhamentos assumidos durante a Romaria devem ser transformados em ações permanentes nas comunidades, paróquias e escolas, mantendo ao longo do ano a temática da terra, da justiça social e da ecologia integral.
Fonte: Rádio São Luiz




