Morre Pedro Ortaça aos 83 anos, um dos maiores artistas das Missões e do RS

Foto: Edegar Cavalheiro / Seduc-RS

Morreu nesta sexta-feira (29/05) o cantor e compositor missioneiro Pedro Ortaça, aos 83 anos. Considerado um dos principais artistas responsáveis por difundir e cantar a história da região das Missões, Pedro estava no Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI), após ter passado por uma cirurgia na quinta-feira (28). Segundo informações de familiares, Pedro teve três paradas cardiorrespiratórias e faleceu na madrugada desta sexta.

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Pedro Ortaça enfrentava problemas de saúde há alguns anos, com internações frequentes no HCI. Em fevereiro, ele teve parte da perna direita amputada devido a um problema de circulação nas veias. Uma cerimônia de homenagem ocorrerá em Ijuí e o velório do cantor será feito na Câmara de Vereadores de São Luiz Gonzaga, com sepultamento previsto para este sábado (30/05), às 10h.

Ao lado de Jayme Caetano Braun, Noel Guarani e Cenair Maicá, Pedro fez parte do grupo reconhecido como troncos missioneiros, justamente, pelo papel na divulgação da cultura missioneira. Em 2025, o cantor recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e, mais recentemente, o mesmo título foi concedido aos quatro artistas pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

Nascimento e primeiros passos na música

Pedro Marques Ortaça nasceu no Pontão Santa Maria, interior de São Luiz Gonzaga, no dia 29 de junho de 1942. Filho de Alberto Ortaça e Maria Cândida Marques Ortaça, teve seis irmãos: Adão, Noé, Agenor, Araci, Rui, e Eva. Ele possui descendência guarani, vindo de sua avó paterna Felicidade Ortaça, que era do povo guarani. Sua infância foi marcada pela vida no campo.

Após uma praga de gafanhotos que acabou com lavoura da família, o seu pai, Alberto resolveu morar na cidade, onde exerceu a profissão de barbeiro.  Na cidade, Pedro desempenhou várias funções, trabalhou carregando sacas de arroz e na instalação de postes, entre outras funções, pois precisava ajudar nas despesas de casa.

Ainda criança, Pedro costumava ouvir o som dos bailes, de onde se influenciou, mais tarde, autodidata aprendeu a tocar violão. Cabe lembrar que a música já era uma herança familiar, afinal, sua mãe era musicista e tocava gaita.

Na década de 1960, Pedro Ortaça iniciou na música profissional fazendo uma dupla sertaneja com João Máximo, com o nome de Canário & Canarinho. Seu companheiro das artes, Noel Guarani, após viver oito anos em países como Argentina e Paraguai, retornou às Missões e junto à Pedro Ortaça, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun, começaram a reivindicar para as missões a primazia da cultura gaúcha.

Os quatro troncos missioneiros foram responsáveis, entre outros artistas, pela criação de uma nova identidade musical, a música missioneira. Pedro foi um dos vanguardistas, ainda naquela década, sobre a divulgação da importância das Missões Jesuíticas e da cultura jesuítica-guarani para o mundo.

Casamento e discos

No CTG Tropilha Crioula, em São Borja, Pedro e Rosemari (Dona Rose) se encontravam para dançar e namorar. No ano de 1981 noivaram e no dia 17 de julho casaram-se na Igreja São Francisco de Borja.

Pedro precisou ser batizado para poder casar e seus padrinhos foram Susi e Aparício Silva Rillo. Os padrinhos do casamento de Pedro e Rose Jayme Caetano Braun e sua esposa Nilda Braun, José Pereira Alvarez (prefeito de São Borja) e Marly Alvarez. Rose era vereadora em São Borja e lá deu a luz ao primeiro filho do casal, Alberto Ortaça em 1982. Gabriel veio no ano seguinte e, finalmente, Marianita nasceu em 1987, os dois últimos são-luizenses.

Pedro Ortaça e mais tarde a Família Ortaça realizaram centenas de shows em diversas regiões do Brasil e do exterior. A sua discografia possui canções de destaque, como “Timbre de Galo” e “Bailanta do Tibúrcio”:

1977 – Mensagem dos Sete Povos 

1979 – Chão Colorado 

1982 – Missões, Guitarra e Herança 

1988 – Troncos Missioneiros – (com Noel Guarany, Jayme Caetano Braun e Cenair Maicá)

1988 Mensagem dos Sete Povos. 

1989 – Timbre de Galo 

1991 – Apontando o Rumo 

1992 – De Guerreiro a Payador 

1995 – Grito da Terra – Acit

1998 – 17 Grandes Sucessos de Pedro Ortaça 

2000 – Galo Missioneiro 

2007 – Pátria Colorada 

2009 – DVD Pedro Ortaça. 

2010 – De Igual pra Igual 

2015 – Pedro Ortaça & Filhos

Prêmios e honrarias

Pedro Ortaça foi eleito através do voto popular como Personalidade do século em São Luiz Gonzaga. Em 2000 e 2001, ele se apresentou na cidade de São Miguel das Missões, juntamente com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Pedro foi Indicado ao Prêmio Açorianos em 2003 como Melhor Disco de Música Regional, e em 2010 e 2014, como Melhor Intérprete de Música Regional.

Em 2003, representando o Estado do Rio Grande do Sul esteve na Esplanada dos Ministérios na posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Em 2006, o artista recebeu a Comenda Sepé Tiaraju, da prefeitura de São Luiz Gonzaga (2006). No mesmo ano recebeu o Prêmio Vitor Mateus Teixeira (Teixeirinha), na categoria de Melhor Cantor do Ano.

Em 2009, Pedro foi agraciado com o  Troféu Guri da Assembleia Legislativa do RS. No ano seguinte, o cantor e compositor recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, também na Assembleia Legislativa do RS. Recebeu o título de Membro honorário da FAB – Força Aérea Brasileira.

Já em 2024, Pedro foi escolhido como o patrono dos festejos farroupilhas. No mesmo ano, foi homenageado pela Assembleia Legislativa RS como um Tronco Missioneiro. Na ocasião, os quatro troncos – Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Pedro Ortaça – foram reconhecidos pela Lei Estadual nº 16.179/2024, como de relevante interesse cultural, artístico e histórico do Estado do Rio Grande do Sul.

Pedro Ortaça também recebeu o título de Mestre das Culturas Populares, concedido pelo Ministério da Cultura. Ao longo de sua trajetória, também foi reconhecido como Cidadão de São Miguel das Missões, Cidadão de São Borja; Cidadão Santo-angelense e Cidadão honorário de São Luiz Gonzaga.

Fonte: Rádio São Luiz