
Foto: Canva/Ilustrativa
O excesso de umidade do solo provocado pelas chuvas frequentes nos últimos dias já começava a causar apreensão com relação às culturas de inverno e às lavouras da região das Missões. Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador técnico da Coopatrigo, Bento Buttenbender, a principal preocupação é com o florescimento da canola e com o atraso na semeadura do milho.
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A Coopatrigo estima que foram semeados em torno de 50 mil hectares com canola, na área de abrangência da cooperativa. Deste total, cerca de 10% a 15% já devem estar com o florescimento avançado, contudo, as lavouras semeadas da primeira quinzena de maio estão entrando nessa fase.
“Chuvas no florescimento da canola nos prejudicam em dois aspectos principais: uma é na fecundação, o pólen não consegue fecundar corretamente a flor. Ao mesmo tempo, chuvas torrenciais podem lavar ou até diminuir o florescimento da canola, quebrando as pétalas da flor”, explica o engenheiro agrônomo. Em ambos os casos, a produtividade pode ficar comprometida.
Outra preocupação é com a baixa presença de luminosidade, em virtude dos dias consecutivos com tempo fechado e nublado. Neste contexto, Bento recomenda cautela do produtor, especialmente, com relação ao manejo da canola na etapa de florescimento.
“Nós recomendamos que no período de florescimento, o produtor não faça nenhuma aplicação na cultura da canola, pois, no período de florescimento existem todos os insetos benéficos – as abelhas – que auxiliam na fecundação e na polinização”, destaca o coordenador técnico da Coopatrigo.
Em relação ao trigo, o impacto das chuvas sobre essas lavouras ainda é menor, por conta da semeadura tardia. Atualmente, as lavouras estão em fase de desenvolvimento, com perfilhamento e alongamento dos grãos. Porém, o alerta fica para as próximas etapas, quando o trigo estiver em fase de espigamento. “No momento, a cultura do trigo se encontra em condições boas no campo, mas com uma preocupação futura com esse excesso de chuvas”, pontua Bento.
A área semeada com trigo na região está estimada em 90 mil hectares, o que representa uma redução de cerca de 40% em relação ao ano anterior, quando foram 145 mil hectares cultivados de trigo.
O engenheiro agrônomo cita ainda o atraso na semeadura do milho, tanto nas áreas de sequeiro quanto nas áreas que contam com irrigação. “Deveríamos estar com 50% da nossa área semeada, principalmente a área de sequeiro, e hoje nós não estamos nem com 10% semeado. É uma preocupação alta em função do clima e desse excesso de chuvas que estão acontecendo e ainda estão por vir”, ressalta.
Fonte: Rádio São Luiz
