Paulo Pires avalia Plano Safra 2025/2026 e alerta para falta de ações concretas no seguro rural

Foto: Rádio São Luiz
O presidente da Coopatrigo e da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro), Paulo Cezar Vieira Pires, concedeu entrevista à Rádio São Luiz para analisar os principais pontos do recém-anunciado Plano Safra 2025/2026. A medida, divulgada em duas etapas pelo governo federal, contemplou linhas de crédito para a agricultura familiar e empresarial, totalizando R$ 516 bilhões em recursos disponíveis por meio do sistema financeiro nacional.
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Segundo Paulo Pires, embora o volume financeiro anunciado tenha sido mantido em relação ao ciclo anterior, apenas 22% dos valores terão juros equalizados, ou seja, com participação direta do governo federal. Os demais recursos estão vinculados a instituições financeiras privadas ou públicas, sem subvenção de taxas, o que reduz a atratividade para investimentos de médio e longo prazo, especialmente diante de um cenário com taxa Selic elevada. O dirigente também criticou a ausência de medidas concretas para o seguro rural, considerado fundamental para a sustentabilidade da produção diante dos riscos climáticos recorrentes.
Ao tratar do endividamento agrícola, Paulo Pires destacou que o discurso do ministro da Agricultura reconheceu a situação crítica enfrentada pelos produtores do Rio Grande do Sul, especialmente em razão de perdas consecutivas causadas por estiagens e, mais recentemente, por enchentes. O dirigente afirmou que há uma sinalização política para a criação de mecanismos de renegociação de dívidas, com possibilidade de carência e prazos estendidos, embora ainda não exista uma solução formal. Ressaltou que, caso não haja medidas efetivas, muitos produtores não terão condições de realizar o plantio da próxima safra de verão.
Outro tema abordado foi a retração na área plantada com trigo no estado. De acordo com o presidente da Coopatrigo, a estimativa de redução pode chegar a 18%, reflexo direto da insegurança econômica, da ausência de políticas de seguro agrícola eficientes e do alto custo de produção. Ele enfatizou a importância das culturas de inverno como cobertura de solo e estratégia de manejo agrícola sustentável, mas alertou que o atual contexto econômico inibe investimentos na diversificação da produção.
A entrevista também abordou a importância do cooperativismo, cuja data internacional é celebrada em 5 de julho. Segundo os dados apresentados na Expressão do Cooperativismo Gaúcho, evento promovido pela Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), o setor registrou crescimento de 8% no Rio Grande do Sul em 2024, com destaque para os ramos de crédito e infraestrutura. Pires destacou o papel das cooperativas de crédito como agentes financiadores da produção rural e salientou o desempenho estável das cooperativas de energia na região missioneira, em contraste com as recorrentes falhas no serviço prestado por concessionárias tradicionais.
Ainda no campo institucional, Paulo Pires participou, na segunda-feira anterior, de uma reunião na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), com o deputado federal Afonso Hamm, tratando do endividamento rural e propondo encaminhamentos viáveis, como dois anos de carência e prazos de dez anos para amortização.
Sobre a participação da Coopatrigo na Expo São Luiz 2025, o presidente destacou que a cooperativa terá programação técnica diversificada durante a feira, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento regional.
Segundo ele, em momentos de dificuldades econômicas, como os atuais, a feira se configura como uma oportunidade de articulação institucional e fortalecimento da economia local, que sofre os efeitos diretos da crise no setor primário, pilar econômico do estado do Rio Grande do Sul.
Fonte: Rádio São Luiz



