Surto de doença meningocócica acende alerta de vigilância no RS

Canva/Ilustrativa

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) emitiu alerta epidemiológico nesta quarta-feira, 1º de outubro 2025, em razão da confirmação de um surto de doença meningocócica em Pelotas, na região Sul do Rio Grande do Sul. O município registrou cinco casos neste ano: três pelo sorogrupo Y da bactéria Neisseria meningitidis e dois pelo sorogrupo C, sem evolução para óbitos. Já em Canguçu, pertencente à mesma Coordenadoria Regional de Saúde, foram notificados dois casos adicionais, ambos pelo sorogrupo Y, incluindo a morte de um homem de 38 anos. Com isso, a regional contabiliza sete casos em 2025, número superior ao registrado em 2023 (dois casos) e 2024 (cinco casos).

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A definição de surto comunitário foi confirmada em Pelotas pelo critério de ocorrência de três ou mais casos sem vínculo entre si, dentro de um intervalo de até três meses na mesma localidade. A caracterização contou com avaliação conjunta do município, Estado e Ministério da Saúde. Além de Pelotas, outro surto foi identificado em Bento Gonçalves, em setembro, com três casos entre julho e agosto, desta vez relacionados ao sorogrupo B, sem ligação com os episódios registrados na região Sul.

Entre as medidas de resposta, o Cevs destaca a necessidade de detecção precoce, manejo clínico adequado e administração de quimioprofilaxia para contatos próximos nas primeiras 24 horas após a confirmação de cada caso. A população deve ficar atenta a sintomas de início súbito, como febre alta repentina, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, náuseas persistentes, sonolência, confusão mental e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele que não desaparecem à pressão. Em crianças menores de dois anos, sinais como irritabilidade, choro persistente e abaulamento da moleira exigem atenção imediata.

A vacinação segue sendo a principal medida preventiva. Pelo Calendário Nacional de Vacinação, o Sistema Único de Saúde oferece vacinas específicas contra os sorogrupos C e ACWY. Estão previstas doses aos 3 e 5 meses (meningocócica C), aos 12 meses (meningocócica ACWY, reforço) e dose única para adolescentes de 11 a 14 anos (meningocócica ACWY).

A doença meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e pode se manifestar como meningite ou meningococcemia, transmitida por secreções respiratórias. O período de incubação varia de dois a dez dias. Em 2025, até a semana epidemiológica 37, o Rio Grande do Sul confirmou 57 casos, ultrapassando os 53 de 2024. Foram registrados dois surtos distintos, sem óbitos associados, mas sete mortes relacionadas à doença ocorreram no Estado ao longo do ano. O sorogrupo B, que representa 43,9% dos casos, tornou-se o mais frequente, seguido pelo Y (21,1%). O C, predominante em anos anteriores, apresentou redução.

A situação epidemiológica, embora de baixa magnitude, exige atenção contínua dos serviços de saúde e reforço nas ações de vigilância, considerando a presença de casos em 14 das 18 Coordenadorias Regionais de Saúde do Estado.

Fonte: Rádio São Luiz