Cátia Valente aponta que aquecimento do Pacífico sinaliza possível El Niño, mas intensidade ainda é incerta

Foto: Defesa Civil RS
A meteorologista Cátia Valente analisou os dados mais recentes sobre a possível formação do fenômeno El Niño e os impactos esperados para os próximos meses no Rio Grande do Sul. Segundo ela, há indicativos consistentes de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, condição essencial para o desenvolvimento do fenômeno, com tendência de evolução ao longo do ano, especialmente no segundo semestre.
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De acordo com a meteorologista, o processo de aquecimento iniciou ainda durante o verão, após um período de neutralidade oceânica, e se intensificou a partir de março. A expectativa, com base em modelos climáticos internacionais, é de continuidade desse aquecimento nos próximos meses, o que pode levar à consolidação do El Niño entre o final do inverno e a primavera. No entanto, a intensidade do fenômeno ainda não pode ser definida neste momento, uma vez que o período atual, correspondente ao outono, é considerado uma fase de transição que limita a precisão das projeções climáticas de longo prazo.
Cátia ressalta que, embora haja projeções indicando a formação do El Niño, não há, neste momento, atuação efetiva do fenômeno na atmosfera. Dessa forma, eventos de chuva previstos para curto prazo não estão relacionados diretamente a esse sistema climático, mas sim à dinâmica típica da estação, marcada pela passagem de frentes frias e massas de ar frio.
Ainda conforme a análise, o inverno e a primavera já são períodos historicamente associados a maior frequência de precipitações no Estado, devido à atuação de sistemas frontais e outros mecanismos atmosféricos. A eventual presença do El Niño tende a intensificar esse padrão, especialmente na primavera, com possibilidade de aumento na regularidade e no volume das chuvas. No entanto, não há indicativos, até o momento, que permitam associar o cenário atual à repetição de eventos extremos observados em anos recentes.
A meteorologista também aponta que previsões sobre a ocorrência de um El Niño de forte intensidade ou classificações como “super El Niño” não encontram respaldo nos modelos atuais. Embora exista probabilidade estatística de diferentes intensidades, a definição mais precisa deve ocorrer a partir de novas rodadas de modelagem climática previstas para maio e, com maior confiabilidade, ao longo de junho.
No contexto da produção agrícola, a análise indica que a possível atuação do fenômeno no segundo semestre pode favorecer a ocorrência de chuvas mais frequentes durante a primavera e o verão, reduzindo a incidência de estiagens prolongadas. Por outro lado, o excesso de umidade no período de preparo do solo e início do plantio pode representar um fator de atenção, exigindo acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas ao longo dos próximos meses.
Fonte: Rádio São Luiz



