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Draco de São Luiz Gonzaga desarticula esquema milionário de sementes falsas no RS e mais três estados

Na esquerda, uma primeira tentativa de tingir a semente falsa. Na direita, a tentativa que deu certo. veja que as mãos ficam tingidas de vermelho. É o pó-xadrez usado para tingir a semente/grão falso, para que pareça com o original. Foto: Divulgação/PC

Na manhã desta quarta-feira, 4, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Luiz Gonzaga, deflagrou a “Operação Piratas do Agro”. A ação, que mobilizou 120 policiais civis e 15 agentes fiscais agropecuários, visou desmantelar um esquema criminoso que falsificava e vendia sementes de milho e soja de baixa qualidade como se fossem de alto rendimento. A operação ocorreu de forma simultânea em quatro estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Minas Gerais.

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A investigação teve início após uma denúncia de quem adquiriu 1.500 sacas de milho supostamente de alta qualidade. A safra, no entanto, foi perdida devido à baixa qualidade das sementes, revelando o golpe. De acordo com o delegado Heleno dos Santos, titular da Draco, “o grupo criminoso transformava grãos destinados à ração animal em sementes falsificadas, pintando os grãos e embalando-os com marcas de renome no setor”. As sacas eram vendidas por até R$ 1.200,00 cada, gerando lucros de mais de R$ 1.000,00 por unidade, em um esquema que prejudicou produtores e cooperativas.

O esquema contava com a participação de empresas gráficas, escritórios de contabilidade e profissionais de computação gráfica, responsáveis pela falsificação de embalagens e documentos fiscais. A organização criminosa movimentava milhões por meio de contas bancárias em nome de laranjas, incluindo familiares dos principais líderes. Um dos chefes, residente em São Luiz Gonzaga, passou de pequeno comerciante a “barão das sementes” em apenas dois anos, acumulando um patrimônio considerável.

Durante a operação, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e veículos, além do bloqueio de 18 contas bancárias. A ação também apreendeu carros de luxo e caminhões comprados com os lucros ilícitos. O delegado destacou que o grupo operava com alta sofisticação, utilizando empresas laranjas para ocultar as transações.

A fraude causou um prejuízo estimado de R$ 2 milhões em uma única negociação, e as investigações apontaram que o grupo movimentou R$ 13 milhões em 15 meses. Além do impacto econômico, a operação evidenciou riscos à saúde pública e à segurança alimentar, já que sementes de baixa qualidade eram vendidas como produtos de alto rendimento.

A operação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de grandes empresas do setor, como a Bayer, que forneceram informações estratégicas para desbaratar o esquema. As investigações continuam, e os responsáveis poderão responder por crimes como falsificação, estelionato, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica.

Criminosos tinham cuidado nos mínimos detalhes, até na costura da embalagem. Fábrica ficava em Fernandópolis/SP

Caminhão e carreta foram apreendidos durante a ação

Carro de luxo também foi apreendido pelos policiais

Fonte: Rádio São Luiz com informações da Polícia Civil

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