Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS, falou sobre a mobilização do 11º Grito de Alerta, que ocorre nesta quarta-feira, 19, em São Luiz Gonzaga. Na entrevista, ele destacou a insatisfação com a falta de respostas do governo federal diante da grave situação enfrentada pelos produtores rurais devido à estiagem, que já chega ao quinto ano consecutivo.
Receba nossas notícias pelo WhatsApp
“Precisamos fazer o governo acordar e se mexer, até agora não tivemos resposta para nenhuma das nossas pautas”, afirmou. Segundo ele, o movimento reúne todas as principais entidades ligadas ao setor agropecuário, como Famurs, Farsul, Fetag, Fecoagro, Ocergs, Aprosoja e Acerva, unidas em torno de pautas comuns.
O presidente ressaltou que a principal reivindicação é o alongamento do pagamento das dívidas por 20 anos — seja chamado de prorrogação ou securitização — com juros compatíveis à realidade dos agricultores. Além disso, enfatizou a necessidade de um seguro eficaz: “Não adianta prorrogar sem ter uma política de seguro, como o Proagro, que realmente proteja o produtor”.
Carlos Joel também destacou uma pauta específica da Fetag, relacionada à previdência social. “Temos agricultores esperando há quatro meses uma perícia médica. Não se trata um segurado, especialmente um segurado especial, dessa forma”, criticou.
Ele reforçou que o agricultor não está pedindo anistia, mas sim prazo para conseguir manter a produção. “O agricultor compra óleo diesel, máquinas, insumos… Se ele não produz, toda a cadeia sofre. Esse é um problema da sociedade”.
O líder sindical expressou decepção com a falta de diálogo por parte do governo: “Faz mais de 15 dias que estivemos em Brasília pedindo suspensão por 120 dias para podermos trabalhar. Até agora, nada”. Também cobrou maior comprometimento dos parlamentares gaúchos: “Parece que temos um só senador, o Heinze. Mourão aparece de vez em quando e o Paim não vem nunca. Dos 31 deputados, são cinco ou seis que ajudam. Queremos que nosso poder político também se una”.
Carlos Joel avisou que, caso não haja respostas concretas, as mobilizações podem se intensificar. “Estamos todos unidos. Se o governo não responder, poderemos radicalizar, com ações mais fortes como ocupações ou fechamento de faixas. Não queremos chegar a esse ponto, mas precisamos de retorno”.
Ele finalizou destacando que no dia 1º de abril haverá nova mobilização em Brasília, durante o Congresso da Contag, e as lideranças irão pressionar diretamente deputados e ministérios por soluções efetivas.
Fonte: Rádio São Luiz

