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Outono: especialista alerta para riscos de doenças virais na nova estação

Foto: Canva/Ilustrativa

O outono começa oficialmente nesta quinta-feira, 20 de março, no hemisfério sul. Nesse período do ano, é comum o aumento do número de doenças virais, principalmente infecções respiratórias, devido ao clima seco e às temperaturas mais baixas. Em entrevista à Rádio São Luiz FM 100.9, Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) que há mais de 15 anos estuda vírus respiratórios, descreveu os principais vírus que afetam a saúde e orientações para a população.

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Resfriados, gripes, bronquites e pneumonias são exemplos de doenças que tendem a preocupar mais no outono e inverno. Ana Gorini da Veiga atua como bióloga molecular e pesquisadora, com foco em aspectos epidemiológicos e genômicos de vírus que causam doenças humanas, principalmente infecções respiratórias e arboviroses. Na conversa, a especialista recordou as duas últimas emergências globais de saúde causadas por vírus respiratórios, as pandemias de Covid-19, em 2020, e de Gripe A ou H1N1, em 2009.

Outros vírus que demandam um alerta da população e das autoridades nesta época do ano, segundo a especialista, são o parainfluenza, o vírus sincicial respiratório, os adenovírus, o bocavirus, o metapneumovírus e outros coronavírus endêmicos. “Esses vírus infectam, inicialmente, o trato respiratório superior e o frio é um fator que facilita não só a replicação viral, mas a disseminação na população, pois no frio costumamos ficar em ambientes mais fechados. Os programas que costumamos fazer acabam levando a maiores aglomerações nesses ambientes, que também são menos ventilados”, explica a pesquisadora.

A professora da UFCSPA alerta para atenção com sintomas com os sintomas de resfriado, como tosse, coriza, febre e congestão nasal. Mesmo nos casos em que a pessoa apresente teste negativo para Covid-19 ou Influenza, é importante ficar atento, pois pode significar a presença de um outro vírus, para o qual as pessoas não estão vacinadas.

“Todos esses vírus podem causar uma infecção grave, levando a pessoa a ter que ficar hospitalizada por dias ou até semanas. Há casos de pacientes que ficam mais de um mês hospitalizados por causa de uma infecção por um desses outros vírus”, conta Ana Gorini da Veiga.

No caso da Influenza e da Covid-19, com vacinas disponíveis no sistema de saúde, a maioria dos casos graves e óbitos é de pessoas não vacinadas. “Dificilmente a pessoa vacinada precisa ser hospitalizada. Ela pode até ter uma infecção, mas a vacina protege de uma doença grave e da morte”, pontua a especialista.

Risco maior para crianças e idosos

Ana Gorini da Veiga ressalta que crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos são os grupos mais vulneráveis às doenças respiratórias virais. No caso da infância, a professora explica que o sistema imunológico das crianças ainda está em formação. “É mais comum que as crianças sejam as primeiras de uma família a serem infectadas”, aponta. Esse fator influencia o risco para os idosos, muitas vezes responsáveis por cuidar dos netos e netas.

A pesquisadora menciona que o aumento do número de casos em adultos, neste período de outono, pressiona o sistema de saúde, com a lotação de hospitais e unidades de atendimento. Outro grupo de risco da população são pessoas imunocomprometidas e com comorbidades, por exemplo, doença cardiovascular, hipertensão, diabetes e obesidade.

O que fazer? De acordo com a professora da UFCSPA, as orientações do período de pandemia podem ser utilizadas de forma individual pelas pessoas, como o uso de máscaras ao sentir sintomas e a higienização constante das mãos. “A consciência é a melhor resposta”, reforça Ana.

A pesquisadora destaca a importância da valorização da ciência e de pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e antivirais. “Disponibilizar acesso mais facilitado a medicamentos e vacinas, além de orientar sobre essas medidas todas que devem ser tomadas”, acrescenta, sobre as ações que cabem aos profissionais de saúde e ao poder público.

Fonte: Rádio São Luiz

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