Conservação e restauração são caminhos para produzir alimentos em equilíbrio com a natureza

Foto: Acervo DUC/SEMA-RS
Combinar conservação com restauração é uma alternativa para produzir alimentos em equilíbrio com a natureza, principalmente, em um contexto de mudanças climáticas. No quinto e último episódio da série “Do Clima ao Campo“, da Rádio São Luiz, especialistas e produtores descrevem a importância de adotar estratégias ecológicas no campo, diversificar culturas e valorizar os saberes dos povos originários do Pampa.
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A agroecologia ou agricultura orgânica é uma das alternativas para se produzir de forma mais equilibrada. Henrique Braun Schneiders é produtor rural do Distrito de Santa Inês, no interior de São Luiz Gonzaga. Há cinco anos, ele passou a fazer parte de um grupo de produtores de agricultura orgânica certificada na região das Missões. “O principal é compreender a vida da propriedade, como se dá a vida do solo, das plantas”, destaca ele, sobre a produção agroecológica.
Professor de Gestão Ambiental da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Rafael Cruz defende a importância de repensar alguns aspectos sobre a forma de produzir, reduzindo a dependência da mecanização e de insumos químicos. Ele também defende políticas públicas para estimular a permanência das famílias no meio rural.
“A transição agroecológica na situação da mudança climática é uma questão de responsabilidade socioambiental. A nossa Constituição diz que a propriedade da terra tem responsabilidade socioambiental, só que isso não está regulamentado no nosso sistema de financiamento”, aponta Rafael. Para o professor da Unipampa, é necessário criar linhas de financiamento para estimular pequenos produtores a adotarem, por exemplo, sistemas agroflorestais de plantio.
Engenheira florestal e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Ana Paula Rovedder trabalha com restauração ecológica de ecossistemas e dá exemplos de alternativas para preservar o Pampa gaúcho. Segundo ela, a preservação ambiental é essencial também como forma de preservar o legado cultural do bioma, responsável por formar a identidade gaúcha.
“Uma das principais riquezas do Rio Grande do Sul são serviços ecossistêmicos prestados pelo campo nativo. Nós também temos que conservar o próprio potencial produtivo da pecuária do Pampa, criando, inclusive, selos de origem”, aponta Ana Paula. Ela também comenta sobre a importância de incluir nas discussões e ouvir os povos tradicionais do Pampa, como comunidades indígenas, quilombolas, ciganos, benzedeiras, pomeranos, além dos próprios pecuaristas e agricultores familiares.
Confira o quinto episódio da série “Do Clima ao Campo” na íntegra:
Confira também os episódios anteriores:
Episódio 1 – O que são as mudanças climáticas e como elas afetam o Rio Grande do Sul e as Missões?
Episódio 2 – As principais ameaças à biodiversidade gaúcha e estratégias para preservação ambiental
Episódio 3 – A pecuária familiar nas Missões e os cuidados com o solo no Pampa
Episódio 4 – Agricultura familiar e estratégias para produzir e cuidar do solo diante de extremos do clima
Fonte: Rádio São Luiz



