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Dois anos depois das enchentes no RS, Estado e municípios trabalham na resiliência climática

Ações incluem programa de desassoreamento dos pequenos rios, arroios e córregos (Foto: Pedro Andrade/Ascom Sedur-RS)

Neste final de abril e início de maio completam-se dois anos da maior catástrofe climática e socioambiental da história do Rio Grande do Sul. As enchentes de 2024 deixaram cidades inteiras submersas e afetaram 478 dos 498 municípios gaúchos, impactando direta e indiretamente cerca de 2,4 milhões de pessoas. O desastre também mobilizou a sociedade civil e o poder público para a reconstrução e para investimentos em adaptação e resiliência climática.

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Segundo balanço atualizado pela Defesa Civil do RS em agosto do ano passado, 185 pessoas morreram e 23 seguiam desaparecidas em consequência das enchentes de 2024. Mais de 13,7 mil quilômetros de estradas foram afetados e estimativas indicam que 100 mil casas foram atingidas, com perdas estimadas em R$58 bilhões, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Dados divulgados pelo governo do Rio Grande do Sul na sexta-feira (24/04) apontam que já foram investidos R$ 14 bilhões em 227 projetos e ações de reconstrução. A maior parte das iniciativas faz parte do Plano Rio Grande, idealizado para a recuperação da infraestrutura do Estado, com foco na adaptação à nova realidade climática.

“São centenas de frentes em andamento e muitas entregas já concluídas, desde o maior programa de desassoreamento da história do Estado até obras de recuperação de rodovias, sistemas de proteção contra cheias, reforço da Defesa Civil e investimentos em monitoramento climático”, descreveu o governador Eduardo Leite (PSD), durante a coletiva de apresentação do balanço.

Os investimentos incluem a infraestrutura hídrica e de sistemas de proteção contra cheias, especialmente, em cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre, avaliados em R$ 502,9 milhões. Em termos de rodovias, o balanço indica a destinação de R$3 bilhões para recuperação de 800 quilômetros de estradas, reconstrução de nove pontes e contenção de 222 encostas.

A Defesa Civil Estadual também por uma reestruturação, com aumento no quadro de servidores de 42 militares para 131, além da incorporação de 32 técnicos especializados – como meteorologistas, geólogos e engenheiros. O Rio Grande do Sul também passou a contar com novas tecnologias de monitoramento, como uma rede de de 130 estações hidrometeorológicas, além de um Centro de Monitoramento que opera 24 horas por dia monitorando 133 municípios por meio do sistema Georisk.

O balanço de ações inclui ainda a implantação de uma plataforma de Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap), a revisão de planos de contingência de todos os municípios gaúchos, a autorização para construção de 2.723 unidades habitacionais em 56 municípios, e R$ 300 milhões investidos no desassoreamento de rios no Estado.

Audiência pública

Nesta quarta-feira (29/04), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS promove uma audiência pública para discutir a situação das famílias atingidas pelas enchentes de 2024.  O objetivo é avaliar as condições de vida da população atingida e apresentar reivindicações ainda não atendidas.

Além da avaliação do cenário atual, será apresentada na audiência uma proposta de Política Estadual de Direitos das Populações Atingidas por Mudanças Climáticas. A iniciativa busca estruturar respostas mais eficazes diante do aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos.

Fonte: Rádio São Luiz

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