
Foto: Evelise Oliveira
O projeto “Oficina dos Fios: Transformando Resíduos Tecnológicos em Oportunidade”, desenvolvido em São Luiz Gonzaga/RS, recebeu reconhecimento nacional durante a 25ª Marcha dos Gestores e Legislativos Municipais, realizada entre os dias 27 e 30 de abril, em Brasília. A iniciativa foi contemplada com o Troféu Destaque Nacional da União dos Vereadores do Brasil (UVB), entregue à vereadora Marisete Marques Vieira, uma das representantes gaúchas premiadas na edição deste ano.
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O projeto foi criado a partir da Lei Municipal nº 6.927, sancionada em 2025, e propõe a reutilização de cabos de fibra ótica e fios de telefonia em desuso para a produção de artesanato. Os materiais recolhidos em mutirões realizados no município são encaminhados ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), onde passam por higienização e são transformados em peças como cestos, balaios, suportes domésticos, fruteiras e itens decorativos.
Durante entrevista concedida à Rádio São Luiz nesta quarta-feira, 6 de maio, a vereadora Marisete Marques Vieira e a secretária municipal de Desenvolvimento Social e Habitação, Nélvia Tavares, detalharam o funcionamento do projeto e os desdobramentos após a premiação nacional. Segundo a parlamentar, o reconhecimento destaca iniciativas que promovem desenvolvimento social e geração de renda por meio da integração entre o poder público e a comunidade.
Conforme a secretária, o trabalho é realizado semanalmente no Salão Social da Brigada Militar, próximo à Secretaria de Assistência Social, e permanece aberto à participação da comunidade. O grupo reúne mulheres, idosos e demais interessados em aprender as técnicas artesanais a partir dos fios retirados da rede urbana.
As ações de retirada dos cabos envolvem equipes da Secretaria de Infraestrutura, Secretaria de Meio Ambiente, RGE e operadoras de telefonia, já que o processo exige identificação técnica dos fios instalados nos postes. Segundo a vereadora, parte dos materiais ainda pertence a antigas empresas de telefonia que não atuam mais no município, o que amplia a complexidade dos mutirões.
Além da redução do descarte irregular e da poluição visual urbana, o projeto passou a gerar renda para participantes que comercializam os produtos confeccionados. Conforme relatado na entrevista, alguns artesãos já alcançam faturamento superior a R$ 2 mil mensais com a venda das peças. Parte da produção também passou a integrar vitrines do comércio local e atividades promovidas pelo CRAS.
A iniciativa começou a ser replicada em outros municípios da região. Segundo Marisete, cidades como 16 de Novembro e São Miguel das Missões já adotaram a legislação como referência, enquanto representantes de Santo Antônio das Missões manifestaram interesse em implantar o modelo em parceria com os respectivos CRAS municipais.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, o projeto deverá ser ampliado para novos grupos e horários de atendimento, diante do aumento da procura por participação e da quantidade de materiais recolhidos nos mutirões urbanos.
Fonte: Rádio São Luiz
