
Foto: Coopatrigo
A Coopatrigo realizou a segunda edição do CoopLíder, jornada destinada à formação, à integração e à análise de modelos de gestão cooperativista. A programação reuniu 80 participantes, entre integrantes da Diretoria Institucional, diretores executivos, conselheiros de Administração, conselheiros fiscais e gerentes de unidades que possuem lojas de insumos.
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A edição de 2026 incluiu uma imersão na Coamo, em Campo Mourão, no Paraná. Fundada em 1970, a cooperativa possui mais de 32 mil cooperados, cerca de 11 mil funcionários e 123 unidades de recebimento em 74 municípios do Paraná, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul. A estrutura integra assistência técnica, fornecimento de insumos, armazenagem e crédito rural, além de contar com 12 plantas industriais. Em 2025, a Coamo registrou faturamento de R$ 28,7 bilhões.
A jornada ocorreu entre os dias 12 e 16 de agosto 2026. Durante a atividade realizada em Campo Mourão, o grupo da Coopatrigo foi recebido pelo presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, pelo presidente executivo, Airton Galinari, e pelo presidente executivo da Credicoamo, Alcir José Goldoni. Foram apresentadas informações sobre a trajetória, a estrutura administrativa, a governança e a relação da instituição com os cooperados.
Segundo o presidente da Coopatrigo, Paulo Pires, o CoopLíder busca ampliar entre dirigentes, conselheiros e gestores a compreensão sobre pertencimento, participação e valorização do quadro social. A análise do funcionamento de outras cooperativas permite identificar práticas que podem ser adaptadas à realidade regional, sem a reprodução integral de modelos desenvolvidos em outros estados.
A programação também incluiu, uma visita ao Memorial Coamo, espaço que apresenta a história da instituição e dos cooperados a partir dos eixos passado, presente e futuro. A estrutura reúne recursos tecnológicos e interativos para apresentar informações sobre a fundação, a expansão das atividades e as perspectivas da cooperativa.
A industrialização esteve entre os temas analisados durante a imersão. A Coamo mantém atividades industriais ligadas a produtos que perderam participação na produção agrícola paranaense, como o café, além de atuar no processamento de soja. Atualmente, a agricultura do Paraná concentra parte da produção em soja e milho, característica também presente na área de atuação da Coopatrigo.
A partir dessa relação produtiva, a Coopatrigo está elaborando um estudo de viabilidade econômica para avaliar a instalação de uma indústria de etanol de milho na Região das Missões. O projeto prevê o processamento do grão para a produção de combustível e de DDG, coproduto utilizado principalmente na alimentação animal.
De acordo com Paulo Pires, o volume de milho recebido atualmente pela cooperativa está próximo da quantidade de soja. A ampliação das áreas irrigadas também é considerada no levantamento por sua relação com a estabilidade e o aumento da produção regional. Uma empresa especializada foi contratada para desenvolver o estudo e o plano de viabilidade, sob cláusula de confidencialidade.
A análise deverá indicar se a disponibilidade de matéria-prima, os custos operacionais, a infraestrutura regional, o mercado consumidor e as condições de investimento permitem a implantação da unidade. Caso o estudo confirme a viabilidade do empreendimento, a Coopatrigo trabalha para que a indústria seja instalada em São Luiz Gonzaga.
O presidente relacionou o projeto ao processo de retomada da industrialização no cooperativismo gaúcho. Na década de 1980, a Central Sul mantinha estruturas voltadas à produção de defensivos, fertilizantes e óleo, além de mina de calcário, serviços técnicos e atividades de comercialização. A crise e o encerramento da central afetaram a continuidade dos investimentos industriais realizados pelo sistema cooperativo no Rio Grande do Sul.
No mesmo período, cooperativas de Santa Catarina e do Paraná ampliaram suas atividades industriais. Conforme a avaliação apresentada por Paulo Pires, as cooperativas gaúchas mantiveram crescimento em outras áreas, mas perderam participação na industrialização. O processamento de soja e os projetos voltados ao etanol de milho aparecem atualmente entre as possibilidades de retomada do setor.
Outro tema abordado foi a modernização das estruturas, dos processos operacionais e da governança. Para a Coopatrigo, inovação e modernização exigem investimentos e estão relacionadas à competitividade, à adequação às normas que regulam a atividade e à eficiência administrativa. A cooperativa trabalha nessas áreas desde 2021, em um período marcado por dificuldades no setor primário e por frustrações de safra no Rio Grande do Sul.
A fidelização do quadro social também foi tratada durante a jornada. A Coopatrigo possui estruturas físicas em 18 municípios e sustenta que os resultados gerados por suas atividades retornam para essa área de atuação por meio de investimentos, serviços e circulação de recursos. No modelo cooperativista, os produtores são os proprietários da instituição e participam de seus resultados.
Fonte: Rádio São Luiz
