
Campos missioneiros do Pampa (Foto: Eduardo Vélez)
A porção do Pampa no Rio Grande do Sul teve a maior diminuição de vegetação nativa no intervalo de 1985 a 2024, considerando a área total do bioma na América do Sul. Nesse intervalo de aproximadamente 40 anos, foram perdidos 3,7 milhões de hectares, segundo dados da Coleção 5 do MapBiomas Pampa, divulgada nesta sexta-feira (04/09). Em 1985, a área ocupada pelas pastagens e campos era de 12,4 milhões de hectares e, em 2024, restaram 8,6 milhões de hectares, uma redução de 30%.
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A região Pampeana ocupa 6% (109 milhões de hectares) da América do Sul e é uma das poucas regiões do mundo ainda cobertas por pastagens ou campos naturais. No total dos três países que possuem o bioma – Brasil, Argentina e Uruguai – foram perdidos 11,3 milhões de hectares de vegetação natural na região, o que significa uma redução de 21%. No mesmo período, a área de cultivos anuais ou perenes, especialmente de grãos, aumentou 33%, e a de silvicultura se expandiu em 503%.
Os dados sobre a perda de vegetação nativa no Pampa são resultado de análise com imagens de satélite, feita por uma colaborativa de especialistas de Brasil, Argentina e Uruguai. A vegetação nativa, que antes da colonização europeia cobria toda a região pampeana, agora cobre apenas a metade ou 56 milhões de hectares.
Em 1985, ano de início do mapeamento, o grau de conversão da vegetação nativa já era alto: 35% da região estava ocupada por pastagens cultivadas, áreas agrícolas, florestas plantadas e áreas urbanas. Nas últimas quatro décadas, a conversão da vegetação campestre em cultivos continuou progredindo. Em 2024, 45% do Pampa sul-americano já estava cultivada.
O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que abriga o bioma. Os dados do MapBiomas Pampa mostram que, na porção gaúcha, a área de silvicultura ocupava 44 mil hectares em 1985 e se expandiu para 738 mil hectares em 2024, o que representa um aumento superior a 1500%. Já a superfície usada para cultivos anuais e perenes, principalmente plantio de soja, passou de 4,8 para 7,8 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 3 milhões de hectares ou 63,2%.
Pesquisador do MapBiomas Brasil na região do Pampa, Eduardo Vélez chama atenção para os impactos da perda de vegetação nativa na regulação hídrica e na preservação do solo. “A vegetação nativa atua muito bem na infiltração da água no solo e no controle do escorrimento superficial da água da chuva, evitando também a erosão do solo. Ela funciona como uma esponja, retendo mais água durante o período com excesso de chuvas, além de infiltrar essa água no solo, e por outro lado, mantendo áreas com maior umidade em períodos de seca”, explica o pesquisador.
Argentina e Uruguai
A Argentina foi o país que, em termos absolutos, registrou a maior perda de vegetação nativa, com cerca de 4,8 milhões de hectares. Em 1985, havia 40,5 milhões de hectares; em 2024, apenas 35,7 milhões de hectares. Foi uma perda de 12% da área em 40 anos. Assim como no Brasil, a degradação do bioma na porção argentina está associada à expansão da agricultura.
No Uruguai, a perda de vegetação nativa foi de 2,8 milhões de hectares, queda de 19%. Nesse período, a área agrícola no país aumentou 136%, passando de 1,4 milhão para 3,4 milhões de hectares. A mudança também esteve associada a um aumento relativo de mais de 900% da área de silvicultura, que passou de 117 mil hectares em 1985 para 1,3 milhão de hectares em 2024.
Fonte: Rádio São Luiz
