
Um conjunto de pesquisadoras da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), de São Luiz Gonzaga, estão participando de uma pesquisa que pode trazer resultados pioneiros na produção de “verjuice” no Brasil. O termo é usado para descrever a bebida produzida a partir do suco da uva ainda verde e não fermentado. O trabalho conta com a parceria da Massey University, da Nova Zelândia.
Receba nossas notícias pelo WhatsApp
As pesquisa estão sendo desenvolvidas por três mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) da UERGS. Duas das estudantes, Letícia da Silva Soares e Sônia Teresinha Pinto são egressas da Unidade em São Luiz Gonzaga, participa também a mestranda Rúbia Lassen. O trabalho está sendo orientado pelo o coordenador do PPGCTA, Voltaire Sant’Anna de Encantado, e pelas professoras Fernanda Leães de São Luiz Gonzaga e Marta Nunes de Santa Cruz do Sul.
O estudo possui também um caráter sustentável, uma vez que utiliza cachos de uva não madura que geralmente são descartados. A produção do verjuice, por enquanto, está sendo feita em escala experimental. Voltaire explica que o verjuice é produzido a partir de uvas desbastadas (deixadas mais lisas) como uma alternativa de aproveitamento desses frutos que, normalmente, são abandonados no campo. “O verjuice é, portanto, uma alternativa de aproveitamento de resíduos da cadeia produtiva de viticultura”, comenta o docente. A ideia é que o produto possa servir como uma alternativa ao vinagre.
O experimento conta com a colaboração da professora da UERGS em Três Passos, Fernanda Weber, além da pesquisadora sênior em Ciência Sensorial e do Consumidor da Massey University, Amanda Dupas de Matos, que estuda as possibilidades de uso do verjuice desde 2015. “Em conversa com produtores de suco e de vinho e com muitos enólogos do Vale dos Vinhedos, ninguém tinha ouvido falar de verjuice ou suco de uvas não-maduras. Por isso, possivelmente, o que produzimos foi o primeiro verjuice do Brasil”, destaca o professor Voltaire.
A pesquisa está dividida em duas frentes principais: enquanto Leticia investiga diferentes formas de extração para a produção de verjuice e qual o impacto desses métodos na qualidade dos produtos finais; Rúbia e Sônia analisam a aplicação do verjuice em alimentos processados e culinários. “Sendo a acidez a sua principal característica sensorial, o verjuice tem sido utilizado como uma alternativa ao suco de limão e vinagre em diversas aplicações alimentícias”, afirma a pesquisadora Amanda Dupas.
Fonte: Rádio São Luiz com informações da UERGS