
Em entrevista concedida à Rádio São Luiz 100.9 FM nesta quarta-feira, 15 de outubro 2025, o especialista em trânsito Eduardo Cadore, referência nacional nas áreas de direito, gestão e psicologia do trânsito, abordou questões relacionadas à mobilidade urbana em São Luiz Gonzaga/RS, com destaque para a implantação recente de rotatórias no município. O tema vem despertando a atenção da comunidade devido às mudanças estruturais no trânsito e ao debate sobre os impactos dessas medidas na segurança e fluidez viária.
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Durante a entrevista, Eduardo explicou que as rotatórias, quando corretamente planejadas e executadas, representam uma das soluções mais eficientes para reduzir acidentes e melhorar o fluxo de veículos. Segundo ele, esse tipo de estrutura obriga naturalmente a redução da velocidade nos cruzamentos, pontos críticos de sinistros, além de permitir maior continuidade no deslocamento, diferentemente do sistema de semáforos, que impõe paradas obrigatórias. O especialista ressaltou, contudo, que a implantação deve ser precedida por estudos técnicos de engenharia, considerando o volume e horários de maior fluxo, além da sinalização adequada.
Ao comentar sobre o uso das placas de parada obrigatória nas novas rotatórias de São Luiz Gonzaga, Eduardo observou que a opção adotada pelo município é tecnicamente permitida pelo Contran, embora cause estranhamento à população acostumada a ver a placa de “dê a preferência”. A escolha, segundo ele, busca reforçar a segurança em pontos de grande movimento. O especialista destacou ainda que a sinalização deve ser periodicamente avaliada para verificar se está atingindo os resultados esperados, como a redução de acidentes e melhoria da circulação.
Entre os erros mais comuns identificados, Eduardo apontou a falta de respeito à sinalização de parada obrigatória por parte de condutores que acreditam existir vias preferenciais fixas, o que não é previsto na legislação atual. Ele reforçou que o Código de Trânsito Brasileiro estabelece a prioridade de quem já está circulando na rotatória ou, na ausência de sinalização, de quem vem pela direita. A desobediência à placa de parada obrigatória constitui infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
O especialista também destacou a importância da faixa de pedestres, lembrando que a travessia deve ser respeitada em todos os casos, cabendo aos motoristas observar a intenção de passagem e interromper o movimento do veículo. Eduardo defendeu maior fiscalização e ações educativas do poder público municipal para melhorar a convivência entre pedestres e motoristas.
Outro ponto abordado foi a ausência de vias preferenciais contínuas na cidade, situação que, segundo ele, deve ser solucionada por meio de padronização e reforço da sinalização vertical e horizontal, eliminando interpretações equivocadas sobre prioridade de passagem.
Eduardo Cadore também comentou a proposta do governo federal que prevê o fim das aulas teóricas e práticas obrigatórias nos Centros de Formação de Condutores (CFCs). Ele avaliou a medida como preocupante, alertando que a ausência do processo educativo aumentaria o número de condutores mal preparados e, consequentemente, os riscos de acidentes. O especialista defendeu a manutenção da formação obrigatória, ainda que modernizada, ressaltando que o ensino nas autoescolas é essencial para transmitir conhecimento sobre regras de circulação, documentação e segurança.
Ele enfatizando que a educação para o trânsito deve permanecer como eixo central das políticas públicas e o município de São Luiz Gonzaga, com uma frota de aproximadamente 23 mil veículos, precisa continuar investindo em sinalização, fiscalização e orientação para garantir maior segurança nas vias.
Fonte: Rádio São Luiz
https://www.facebook.com/radiosaoluiz/videos/2830936290438992