
Foto: João Lucas Oliveira
O município de Rolador/RS recebeu nesta sexta-feira, 21 de agosto, o Fórum das Margaridas Missioneiras e a etapa regional do 12º Grito de Alerta – Missões Fronteira Noroeste. As atividades foram realizadas no Salão Paroquial e reuniram agricultores e agricultoras familiares, representantes sindicais, lideranças, cooperativas, agentes financeiros, entidades e integrantes dos poderes Executivo e Legislativo. Os dois eventos foram organizados de forma conjunta, com debates relacionados à participação das mulheres no meio rural e às demandas da agricultura familiar da região.
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A programação reuniu momentos relacionados ao Fórum das Margaridas Missioneiras e a pauta regional do Grito de Alerta. Entre os temas do Fórum estiveram os desafios enfrentados pelas mulheres no campo e as conquistas do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais em parceria com a agricultura familiar. O encontro também contou com atividades integrativas.
O prefeito de Rolador e presidente da Associação dos Municípios das Missões (AMM), João Alberto Aquino Gomes, afirmou que o encontro serviu para reunir no município as discussões realizadas anteriormente em outros locais e consolidar as propostas. Segundo ele, o objetivo era “finalizar, digamos assim, aqui no Rolador” a pauta construída ao longo do processo. O prefeito também destacou a relação do município com a atividade agrícola e disse que o encontro permitiu “alinhar algumas decisões” tomadas por agricultores e sindicatos para posterior encaminhamento às instâncias estadual e federal.
Foto: João Lucas Oliveira
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Luiz Gonzaga e da Regional Missões II, Rafael Dalenogare Paz, explicou que a realização conjunta do Fórum das Margaridas e do Grito de Alerta faz parte de uma nova metodologia adotada neste ano. Segundo ele, apesar de terem protocolos e aberturas diferentes, os encontros fazem parte de “um mesmo conjunto”, já que os temas discutidos estão relacionados. Rafael informou que a Regional Missões II possui mais de 30 grupos de mulheres distribuídos pelos municípios da regional e apontou a sucessão rural como um dos assuntos que conectam as duas programações.
O Grito de Alerta deste ano passou por uma mudança no formato. Em vez de concentrar a mobilização em um único encontro com milhares de participantes, foram realizados debates nos municípios para levantar propostas e demandas locais. Conforme Rafael, mais de 300 lideranças participaram das discussões na região das Missões e a expectativa é superar mil participantes considerando todo o processo. “O objetivo do Grito é nós somar forças”, afirmou. Segundo ele, a proposta é estabelecer uma agenda de discussão sobre o desenvolvimento regional e construir um documento coletivo envolvendo sindicatos, agricultores, assistência técnica, cooperativas, municípios e outras entidades.
Entre os assuntos tratados na etapa regional do Grito de Alerta estiveram crédito rural, renegociação do endividamento agrícola, fortalecimento da agricultura e da pecuária familiar, diversificação da produção e políticas públicas destinadas ao campo. Rafael afirmou ainda que o documento resultante deverá reunir propostas destinadas às esferas municipal, estadual e federal. Segundo ele, a intenção é que o material represente uma construção regional. “Não é a pauta do sindicato, não é a pauta regional, mas a pauta da região das Missões”, declarou.
Foto: João Lucas Oliveira
No Fórum das Margaridas Missioneiras, a coordenadora da Comissão das Mulheres Regional Missões II, Claudete Druzian, destacou que a programação também recuperou a trajetória das mulheres que participaram da organização sindical e da construção de políticas destinadas à população rural. Entre os temas citados por ela estão previdência, aposentadoria, auxílio-maternidade e auxílio-doença. “Falar do hoje, falar da terra, falar da nossa produção”, resumiu Claudete ao tratar das discussões do encontro, que também abordaram a produção e a transformação de alimentos.
Outro tema incluído na programação foi a violência contra as mulheres. Claudete defendeu que a discussão não permaneça restrita aos grupos femininos e seja levada também às famílias, escolas e espaços frequentados por homens. “Nós temos que envolver os homens nesse debate”, afirmou. Para a coordenadora, questões relacionadas à violência precisam ser abordadas desde a educação familiar e também no ambiente escolar.
A programação contou ainda com palestra de Lérida Pavanello, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), sobre os desafios da mulher no campo e as conquistas do movimento de mulheres trabalhadoras rurais. Ela apresentou aspectos relacionados aos 26 anos da Marcha das Margaridas, iniciada em 2000, e observou que algumas políticas conquistadas ao longo desse período ainda enfrentam dificuldades para chegar às trabalhadoras rurais. “Os desafios nossos, eles são permanentes”, afirmou ao citar casos em que a falta de documentação ainda interfere no acesso a processos previdenciários e linhas de crédito.
Entre as mudanças citadas por Lérida estão o acesso das mulheres ao crédito, à propriedade e a programas habitacionais, além dos quintais produtivos incluídos entre as medidas mais recentes relacionadas ao Plano Safra. Segundo ela, além da criação das políticas, é necessário acompanhar sua aplicação. “A implementação das políticas é o mais importante”, afirmou, atribuindo aos sindicatos e aos grupos organizados de mulheres parte do trabalho de fazer com que esses instrumentos cheguem às propriedades rurais.
Lérida também abordou a violência contra mulheres que vivem no meio rural. Segundo a representante da Fetag-RS, a distância entre propriedades e serviços pode dificultar a identificação de determinadas situações. Ela citou formas de violência que não se limitam às agressões físicas e defendeu que o assunto seja discutido com as famílias. “A gente não fala só de mulher pra mulher, a gente fala com as famílias”, declarou.
Fonte: Rádio São Luiz
