O deputado federal reeleito Pompeo de Mattos (PDT) analisou, em entrevista à Rádio São Luiz nesta quarta-feira, 4 de novembro, os resultados das eleições de 2026, o cenário político do Rio Grande do Sul, a situação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e as perspectivas para o próximo mandato presidencial. O parlamentar, que conquistou aproximadamente 84 mil votos e foi eleito para seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados, afirmou que o resultado da eleição estadual, definido no primeiro turno com a vitória de Luciano Zucco, contrariou suas expectativas. Segundo ele, os resultados eleitorais precisam ser avaliados considerando as circunstâncias de cada disputa, já que o desempenho de uma legenda em determinada eleição não representa necessariamente a manutenção de sua posição política nos pleitos seguintes.
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Durante a entrevista, Pompeo citou diferentes períodos da política brasileira para contextualizar sua avaliação. Recordou o desempenho do antigo PDS nas eleições municipais de 1982, a expansão do PMDB nas disputas estaduais de 1986 e a eleição de Tarso Genro ao governo gaúcho, em 2010, ainda no primeiro turno. Também mencionou a derrota de Tarso para José Ivo Sartori quatro anos depois. Ao comentar a eleição estadual de 2026, avaliou que a concentração de votos em Zucco, ainda no primeiro turno, impediu uma nova etapa da disputa. Na avaliação do deputado, Juliana Brizola, que recebeu aproximadamente 32% dos votos, poderia ter ampliado sua votação em um eventual segundo turno. Ele comparou esse desempenho com o de Eduardo Leite em uma eleição anterior, quando o atual governador havia obtido cerca de 26% dos votos no primeiro turno e posteriormente venceu a disputa. Pompeo destacou que os partidos derrotados precisam reorganizar suas estruturas e que os resultados de 2026 não determinam o cenário eleitoral dos próximos quatro anos.
Sobre o futuro do PDT, Pompeo reconheceu as dificuldades enfrentadas pela legenda nas eleições de 2026, especialmente na disputa por vagas na Câmara dos Deputados. Conforme os números apresentados pelo parlamentar, o partido elegeu seis deputados federais, 24 deputados estaduais e uma representante para o Senado. Ele explicou que o desempenho na eleição federal trouxe preocupações relacionadas ao cumprimento da cláusula de desempenho, mecanismo previsto na legislação eleitoral que estabelece critérios para o acesso dos partidos a recursos públicos e à propaganda partidária gratuita. Como alternativa, informou que o PDT está negociando a formação de uma federação partidária. Segundo o deputado, o diretório nacional já autorizou, por unanimidade, a executiva nacional a avançar nas tratativas com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Também estão sendo consideradas articulações envolvendo PRD, Solidariedade e Avante. Pompeo afirmou que a intenção é concluir as negociações até o final de dezembro de 2026, embora tenha mencionado janeiro de 2027 como referência para o encerramento do processo. A federação permitiria a atuação conjunta das legendas, preservando suas identidades partidárias, mas exigindo unidade de atuação conforme as regras eleitorais.
No cenário nacional, o deputado comentou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a composição do Congresso Nacional. Na avaliação de Pompeo, o resultado das eleições legislativas manteve uma configuração em que os partidos de centro e de direita possuem participação majoritária, exigindo negociações para a formação de uma base de apoio ao governo. Ele estimou que as legendas identificadas com a esquerda e o campo político mais próximo ao presidente reúnem aproximadamente 120 a 130 deputados federais. Para o parlamentar, a continuidade do diálogo com o centro político da Câmara e do Senado será determinante para a governabilidade. Pompeo avaliou que Lula já possui experiência na construção de acordos com diferentes partidos e que a manutenção dessa estratégia poderá assegurar apoio às propostas do Executivo.
O parlamentar também abordou a polarização política e as perspectivas para as próximas eleições presidenciais. Na sua avaliação, o cenário político poderá passar por mudanças nos próximos quatro anos, inclusive com a possibilidade de uma disputa presidencial sem Lula e Jair Bolsonaro. Pompeo comentou a situação do senador Flávio Bolsonaro e criticou comparações entre sua ida aos Estados Unidos e o exílio de Leonel Brizola durante a ditadura militar. Segundo o deputado, as circunstâncias são distintas, pois Brizola teve o mandato cassado e foi perseguido pelo regime militar, enquanto Flávio Bolsonaro permanece no exercício do mandato parlamentar. Pompeo também defendeu que o presidente reeleito participe da redução das tensões políticas e da construção de diálogo entre diferentes setores da sociedade, afirmando que divergências eleitorais não devem comprometer relações familiares e comunitárias.
Ao tratar de sua reeleição, Pompeo de Mattos afirmou que pretende manter a atuação parlamentar voltada às demandas de São Luiz Gonzaga e da região das Missões. O deputado relacionou os aproximadamente 84 mil votos recebidos à responsabilidade de seu novo mandato e declarou que continuará acompanhando questões regionais em Brasília. Durante a entrevista, também se manifestou sobre o falecimento do ex-vereador José Antônio Caetano Braga, conhecido como Sapo, ocorrido nesta quarta-feira, 4 de novembro. Pompeo mencionou a trajetória do ex-parlamentar na Câmara Municipal de São Luiz Gonzaga e apresentou condolências aos familiares. Ao encerrar sua participação na Rádio São Luiz, reafirmou que pretende manter o contato com o município durante o próximo mandato na Câmara dos Deputados.
Fonte: Rádio São Luiz