
Durante entrevista concedida à Rádio São Luiz nesta terça-feira, 16 de setembro 2025, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, detalhou os resultados do 12º e último levantamento da safra 2024/2025, confirmando que o Brasil atingirá um volume recorde de produção de grãos e explicando os fatores que sustentam esse desempenho, além de abordar o cenário do Rio Grande do Sul e a metodologia utilizada pela estatal para estimar a produção agropecuária.
Segundo Edegar, a safra nacional deverá alcançar 350,2 milhões de toneladas, um crescimento de 16,3% em relação ao ciclo anterior, representando 49,1 milhões de toneladas a mais. Ele atribuiu esse resultado à combinação de fatores como a ampliação da área plantada — agora estimada em 81,74 milhões de hectares —, condições climáticas favoráveis, avanço tecnológico no campo e políticas públicas voltadas ao financiamento agrícola. Entre os destaques nacionais, estão os recordes de produção de soja (171,47 milhões de toneladas), milho (139,70 milhões), algodão em pluma (4,06 milhões) e o crescimento expressivo da produção de arroz, estimada em 12,76 milhões de toneladas.
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Edegar ressaltou que a alta produtividade fortalece tanto o abastecimento interno quanto as exportações, com a abertura de 432 novos mercados agrícolas internacionais, incluindo o recente acordo de cooperação com o México, que habilitou 14 frigoríficos brasileiros para exportação de carne ao país. Também destacou o papel da produção de grãos na indústria de biocombustíveis, citando que mais de 25% do milho brasileiro é destinado à produção de etanol, o que contribui para a soberania energética nacional.
Ao abordar o cenário do Rio Grande do Sul, Edegar explicou que, apesar de o estado continuar como o quarto maior produtor nacional, houve uma redução de 7,8% na produção total, estimada em 35,9 milhões de toneladas frente às 38,92 milhões da safra anterior. A queda está relacionada principalmente às perdas na soja, cuja produção recuou 23,6% em razão da estiagem e das ondas de calor durante a floração e o enchimento de grãos. Em contrapartida, houve crescimento em outras culturas, com destaque para o arroz (8,73 milhões de toneladas, aumento de 22%), o milho 1ª safra (5,43 milhões de toneladas, alta de 12%) e o feijão (73,5 mil toneladas, elevação de 2,5%).
O presidente da Conab também detalhou a nova metodologia de estimativas agrícolas, que combina sensoriamento remoto por satélite e dados de campo fornecidos por técnicos, universidades, institutos federais e produtores. O objetivo é aprimorar a precisão das previsões mensais sobre os 16 principais grãos e outros produtos como carnes, açúcar e café. Edegar mencionou ainda uma parceria com o Banco do Brasil, que compartilha análises de mercado com a estatal para subsidiar decisões sobre crédito agrícola.
Sobre o endividamento do setor agrícola gaúcho, Edegar relatou que o governo federal destinou R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais, com condições diferenciadas para pequenos, médios e grandes produtores que registraram perdas de safra e tiveram decretada situação de emergência nos últimos cinco anos. Segundo ele, a expectativa é alcançar 96% dos pequenos e médios agricultores e mais de 85% dos grandes produtores do estado, garantindo novo acesso ao crédito e viabilizando a continuidade da produção
Ao final da entrevista, Edegar Pretto enfatizou que a Conab retomou políticas de estoque regulador de arroz, milho e trigo, comprando grãos quando os preços caem para sustentar o produtor e liberando os estoques quando os valores sobem, com o objetivo de equilibrar os preços ao consumidor. Também citou a operação de contratos de opção de venda de arroz, com pagamento de R$ 87,62 por saca aos produtores que aderiram, valor superior à média atual de R$ 66,67 no mercado gaúcho
Fonte: Rádio São Luiz